segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O Retrato de Dorian Gray

A primeira vez que ouvi falar desse livro foi em um dos artigos do Literatortura. O enredo e a época em que foi escrito me chamou bastante atenção (o livro foi publicado em 1980) e um dia eu estava zapeando na TV e vi em um canal que o pacote daqui de casa não cobre (risos) o filme baseado no livro. Fiquei com vontade de assistir e pensei, bom, já que não dá pra assistir vou ler.

Eu sou muito assim. Algumas coisas chamam a minha atenção por algum motivo particular, no momento eu não tenho aquele impulso de atingir o objetivo (ler, no caso), mas se depois de algum tempo eu entro em contato com alguma coisa que me faz lembrar que aquilo já havia me chamado atenção antes, mesmo que eu não me lembre exatamente o porquê, o impulso  se torna maior do que o do primeiro contato. Isso acontece muito comigo, principalmente com livros.

 
De início Oscar Wilde demonstra a sua personalidade forte definindo o que é ser artista e chegando a afirmar que toda arte é completamente inútil, tendo como justificativa para sua existência ser profundamente admirada. Penso que essas afirmações fazem bem o feitio de autores polêmicos (e clássicos), como Wilde é. Ao mesmo tempo que um dos importantes personagens desse romance o artista Basil destaca que em cada obra de arte revela não a sociedade, objeto ou ídolo que o inspira, e sim o próprio artista.
 

A princípio Dorian Gray não tem noção de sua beleza e do efeito que causa nas pessoas. O que vemos nesse romance é o despertar da personalidade desse rapaz. Pelo amadurecimento natural, pela influência das conversas com o amigo Henry e pela vaidade surgida depois que seu retrato, pintado pelo amigo Basil Hallward fica pronto e é considerado uma obra perfeita. Dorian sente-se tal qual Narciso ao olhar-se no espelho.

- Tenho ciúmes de tudo em que a beleza não morre. Tenho ciúmes do meu retrato que você pintou. Por que há-de ele conservar o que eu tenho de perder? Cada momento que passa rouba-me algo, e dá-o a ele. Ah, se acontecesse ao contrário! Se o retrato pudesse mudar, e pudesse eu ser sempre como sou agora! Por que é que você o pintou? Um dia ele vai desdenhar-me... desdenhar-me terrivelmente.

Dorian Gray é um jovem rapaz belíssimo que desperta o interesse  de quem o conhece. Especialmente de Basil e Lord Henry. Basil é artista e Dorian seu objeto de inspiração, enquanto Henry, fascinado pelo comportamento humano escolhe estudar o efeito de suas influencias sobre o jovem e inocente Dorian. Ah, como as influências são perigosas... Fizeram o doce e ingênuo Dorian tornar-se um obcecado por buscar novas experiências em uma vida de pecados sem a menor responsabilidade. Pelo caminho ele abandonou toda a moralidade, preocupando-se com nada mais além de si mesmo e da manutenção de sua beleza, sequer se importando com o que a sociedade pensava de suas escapadelas refugiando-se em frivolidades e na história de seus antepassados e outros personagens que julgava fascinantes.

O seu retrato sofre com as marcas de seus pecados e do envelhecimento enquanto Dorian permanece belo, corrompendo cada vez mais a sua alma e desfrutando de tudo o que a vida lhe oferece. O Retrato de Dorian Gray trata sobre a efemeridade da vida e da juventude, e vai além disso, sendo classificado como "romance filosófico", tece tantas outras reflexões, maioria proveniente do encantador, manipulador e sagaz Henry. É um retrato da juventude londrina do século XIX, da qual o próprio Oscar Wilde fazia parte.

 
Só teci elogios e falei o quanto a história é interessante. Realmente. Mas demorei a terminar de ler por achar a narrativa um pouco monótona. Cheguei a pensar em abandona-lo, mas estava tão curiosa para saber como terminaria a história que não consegui fazer isso. Por coincidência uma amiga minha estava lendo ao mesmo tempo que eu. Demos forças uma a outra rs. E não me arrependi. É um livro interessantíssimo. Recomendo.

domingo, 14 de setembro de 2014

Salut

Não confie no meu Skoob.
 
O blog andou parado por algum tempo. Não é que eu tenha parado de ler. Estou lendo bastante Histologia, Fisiologia, Epidemiologia, Bioestatística, Embriologia... Ando meio ocupada. E não estou sabendo organizar muito bem o meu tempo. E me sentia culpada quando deixava de estudar para me distrair lendo um livro. Vocês não tem noção. Desde o início do semestre que eu já me sinto como se estivesse no fim do semestre. Quanta coisa pra fazer... Estou ficando loooucaaa
 
Outro motivo é que eu não estava conseguindo terminar uma livro. Eu começava a ler um, chegava no meio, surgia algum outro, eu não abandonava, continuava lendo os dois ao mesmo tempo, e acabava não terminando nenhum.

O que estou lendo.
Vou organizar meu tempo e finalmente atualizar o Skoob. Tirar as teias de aranha do blog.

Au revoir.

@mor

Queridx leitor(a),

Não gosto de chick-lit. Bem, na verdade eu tenho um preconceito com esse gênero. Digo preconceito porque os únicos chick-lit que eu já li foram os do Maurício Gomyde e eu gostei bastante (pelo menos dO Mundo de Vidro sim, do Ainda não te disse nada, nem tanto). Mas sabe o que me incomoda e me faz ter esse preconceito com relação a esses tipos de livro? Sempre imagino que vai ser só mais uma na comédia romântica. Somente mais da mesma história previsível.

Com @mor foi diferente. Certo, logo no início eu já imaginava saber qual seria o desfecho. Mas @mor tem uma proposta inovadora: a história é inteiramente contada através dos e-mails que os dois protagonistas trocam. Eles nem se conhecem, toda a relação se inicia por mero acaso e se desenrola e evolui, mas nós acompanhamos apenas o que eles visualizam em suas caixas de entrada. Claro que há um contexto, afinal os personagens têm suas vidas além do mundo virtual. E esse contexto fica por conta da nossa imaginação. Mas não é apenas isso que torna o livro interessante. Os personagens são incrivelmente verdadeiros e se expõem um ao outro muito abertamente, de uma forma que eu não teria coragem de falar a alguém, mesmo que fosse um estranho, que não tem a intenção de me conhecer pessoalmente.

Dois estranhos trocando e-mails carregados de sentimentos (sem serem melosos, por favor) e aos poucos se apaixonando por aquela imagem criada em suas mentes. Amor platônico. Pura, simples e reconhecidamente. Duas pessoas francas e completamente transparentes. Os seus pensamentos mais puros e os mais profanos, todos expostos. Talvez de uma forma espontânea, talvez de uma forma calculada. Claro, todo mundo tem uma forma única de se expressar, mas a depender da habilidade com as palavras, pode-se soar diferente da realidade, dando margem para que no imaginário, as lacunas deixadas nas mensagens, sejam preenchidas com expectativas perfeitas e apaixonantes que nunca seriam desfeitas se não houvesse um encontro.

Daniel  Glattauer soube explorar muito bem essa sua ideia inovadora dentro do universo chick-lit, criando personagens envolventes, contraditórios, apaixonados, intensos e lindos. E o final? Bem, o final é satisfatório, se encaixa muito bem. Não soa como essas coincidências mirabolantes raízes de muitas das minhas decepções literárias. Não gosto de nada perfeitinho demais e adoro quando o autor dá margem à minha imaginação. Foi aí que Daniel me ganhou. Em @mor eu me sentia parte da construção da história. Gostei da experiência.
 
Cordialmente,

Manu

domingo, 27 de julho de 2014

O Poder dos Quietos

Um amigo secreto muito querido me deu esse livro de presente no último natal. Foi o presente perfeito por alguns motivos:
 
1. Eu já tinha visto o livro em algum lugar e ele chamou a minha atenção (acho que foi nas Lojas Americanas).
2. Ele chamou minha atenção porque eu me identifiquei com o título.
3. Não cheguei a pensar em comprar porque não é do estilo a que estou acostumada a ler.
4. É difícil sair da zona de conforto.
5. Gosto de ser desafiada a sair da zona de conforto. É bom para conhecer coisas novas. Adoro conhecer coisas novas.
 
Esse livro me surpreendeu muito positivamente porque eu esperava um autoajuda e me deparei com um estudo muito bem elaborado sobre a introversão, trazendo pesquisas científicas, dados biográficos, entrevistas com diversas pessoas e relatos pessoais. Susan Cain fez uma pesquisa intensa sobre a introversão e a extroversão e nos mostra neste livro de onde vem o potencial dos tímidos e porque aprecia-lo é tão difícil na nossa sociedade. Para isso ela conta a história do ideal de extroversão, como a sociedade passou do culto ao caráter par o culto à personalidade, e aqueles que não são tão sociáveis e expressivos ficam à margem.
 
A todo momento ela usa o mundo dos negócios (especialmente nos Estados Unidos) para exemplificar, mas o culto à personalidade é percebido em todos os lugares (até nas minhas aulas na universidade). Susan busca o que pessoas criativas e de sucesso têm em comum, e encontra a introversão entre suas características.
 
Encontrei a mim mesma em todo o livro. Na quietude, na dificuldade de socialização, no apreço pela solidão, na veia artística... Mas também percebi que eu não preciso mudar quem sou, como tenho tentado fazer, para ser bem sucedida. Passei a compreender melhor a mim mesma e meus amigos introvertidos.
 
As pressões sociais são muitas, mas ler este livro me fez entender melhor meus amigos introvertidos e aceitar melhor a mim mesma podendo mudar alguns traços, como Susan driblou o seu medo de palco e eu estou lutando contra o meu. Sabe, algumas pessoas que me veem apresentando alguma coisa podem até me achar extrovertida (é por isso que gostei do termo que Susan me apresentou: "ambiversão"), mas eu já entendi o que acontece. Preciso estar muito segura e bem preparada para encarar uma apresentação importante. Se não acabo metendo os pés pelas mãos. É como se eu tivesse criado uma personagem extrovertida para me tirar dessas situações. Susan também fala sobre isso em seu livro. Isso foi fruto da pressão social, mas não posso dizer que foi ruim. Falei de apresentações importantes, mas vale pra qualquer situações em que seja preciso ser espontânea (a menos que eu esteja um pouquinho alta rs).
 
Existe o ideal para tudo. Até para personalidade. Nossa, como eu detesto padrões.

terça-feira, 15 de julho de 2014

A Dança com Dragões

Olha, ler esse livro foi um problema, viu? Peguei emprestado com um amigo e fui lendo até que percebi que alguns capítulos estavam repetidos substituindo as páginas que deveriam estar lá. Vacilo do meu amigo, já que essa edição realmente sofreu um recall por causa de defeitos como esse. Li esses três capítulos na clandestinidade e conferi o livro tooodo pra ver se esse era o único defeito.

Preciso reafirmar que sou fã de George R. R. Martin? Só ele pra me fazer arrumar tempo pra ler um livro de 800 páginas no meio de um semestre tão atarefado como foi esse meu último. Mais um motivo pra eu ter demorado tanto pra terminar de ler, além do quê, estar com um livro emprestado é complicado... Fico preocupada em levar pra todos os lugares que vou e danificar o livro durante a viagem; sem contar que é preciso muita força nos músculos para segurar esse livro numa fila de banco ou na bagagem de mão (e eu viajei bastante! Eu li a maior parte de As Terras Devastadas dentro de ônibus e em casas de parentes, estava lendo os dois livros simultaneamente).

Cada fim de capítulo deixa uma pontinha solta que me faz ficar impaciente por chegar ao próximo capítulo no qual aquele personagem é central novamente.

É simplesmente incrível a forma como George conduz a narração alternando entre os personagens nos proporcionando uma visão tão ampla que fica difícil até escolher pra quem torcer. Até mesmo porque Martin não se apega a ninguém. Cada virar de página é totalmente imprevisível. Quando algum personagem chega a um momento de calmaria pode ter certeza que isso não vai durar por muito tempo e alguma reviravolta está prestes a acontecer.

Se você está lendo os volumes anteriores se apegue bem às histórias e se lembre dos personagens que desaparecem de um núcleo. Eles podem reaparecer em outro lugar em uma situação muitíssimo diferente, interferindo no curso da vida de pessoas que você não imaginaria.

Já falei isso na postagem sobre O Festim dos Corvos: vendo que o livro ficaria extenso demais Martin não quis cortar a história no meio, preferindo deixar alguns personagens de fora do quarto livro e os colocando no quinto, Dança dos Dragões. Apesar de se tratarem do mesmo período temporal, o primeiro se passa nos arredores de Porto Real, enquanto este foca nos personagens nos arredores da Muralha e nas Cidades Livres. Intrigas, injustiças, reviravoltas, feitiçaria, dragões, traições, está tudo lá. No mundo incrível que Martin criou, é claro.

Assim como vi no Festim, esse é um momento de recolocar as peças no tabuleiro. É hora de recolher os destroços e pesar as vantagens para escolher um rei ou rainha para apoiar.

A melhor parte dos livro da Guerra dos Tronos são as surpresas. Como não há um narrador onisciente nós ficamos à mercê do que os próprios personagens "centrais" acreditam. Quando eles se surpreendem, nós nos surpreendemos junto. A não ser em alguns casos em que é possível ficar atento a algumas dicas sutis que Martin deixa. Fico animada quando percebo alguma coisa que não está totalmente explícita, rs. Era engraçado quando chegava a esses momentos reveladores e surpreendentes eu literalmente pulava da cadeira. Ajeitava a postura e lia de novo pra ter certeza de que não tinha entendido errado. Martin é incrível.

Acabo de terminar a leitura. Estou chocada, como sempre fico ao terminar um dos livros da Guerra dos Tronos. E ansiosa pelo próximo  volume, como sempre fico ao terminar um dos livros da Guerra dos Tronos.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Pequena Abelha

Na contra-capa do livro vemos o seguinte:
Não queremos lhe contar O QUE ACONTECE neste livro.
É realmente uma HISTÓRIA ESPECIAL, e não queremos estragá-la.
[…]
Depois de ler este livro, você vai querer comentá-lo com o seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como esta narrativa se desenrola.


Então, se você nunca leu Pequena Abelha talvez não devesse ler o que escrevi a respeito porque faço algumas revelações sobre o enredo. Nenhum grande spoiler, mas mesmo assim penso que você deveria ler "às cegas", como eu fiz. E realmente concordo, grande parte do encanto reside na forma como as lacunas vão sendo aos poucos preenchidas. Agora irei apenas falar que amei este livro. Tanto a história como a forma que foi contada. E se você não quer saber O QUE ACONTECE no livro, então pare de ler este post agora.

A partir do início do primeiro capítulo (a metáfora da libra esterlina) fui fisgada por esta sofrida menina nigeriana.  Pequena Abelha (sim, esse é o nome dela), que deixou de ser menina, mas não se tornou mulher em um centro de detenção de imigrantes em Londres, foi libertada após dois anos de confinamento. Já não era uma menina nigeriana. E muito menos uma moça londrina, apesar de falar como uma (ela se esforçou para aprender a "língua da Rainha").

As histórias de Abelhinha e Sarah estão entrelaçadas por algo que aconteceu no passado. Conhecemos a trajetória de cada uma individualmente: o passado e o presente. Mas há algo que conecta esses dois momentos. Qual seria esse elo? É um livro complexo e encantador por conseguir  tratar de temas difíceis que trouxeram tanto terror à vida do povo nigeriano, mas traz tudo isso do ponto de um ponto de vista que eu não consideraria nem de longe ingênuo, mas singelo. Pequena Abelha nos faz refletir sobre os valores dessa sociedade capitalista, que cá entre nós não se restringe ao Reino Unido, assim como as vítimas da exploração não são somente as menininha nigerianas. Reflexões interessantes sobre como os-homens-vieram-e-eles levaram o petróleo - metaforizado como o futuro -, destruíram as aldeias, mataram milhares de pessoas e abalaram a estrutura familiar e psicológica de tantas outras e ainda consideram a Nigéria como um país em desenvolvimento, como se houvessem sido deixados subsídios para que esse "desenvolvimento" ocorra.

Abelhinha compara o que esse povo branco  considera importante, e o que ela própria, com sua vida simples em sua antiga aldeia e sua vida cinza no Centro de Detenção de Imigrantes considera realmente importante. Coisas simples como brincar num balanço improvisado com um pneu velho embaixo de uma árvore ou pintar as unhas dos pés de vermelho. Trata tanto da situação indigna dos refugiados no Reino Unido, como também da vida num subúrbio londrino, relações de infidelidade, culpa, medo e redenção.

Enquanto estou digitando esse texto, duzentas estudantes nigerianas foram sequestradas e vendidas como escravas para Deus sabe onde. Pequena Abelha pode não ser real, mas ela conta a história de tantas outras meninas que passaram (e ainda passam) por situações semelhantes.


Estou a um bom tempo lendo livros de ficção fantástica, e cheguei a pensar que talvez tivesse perdido o gosto por dramas. Não perdi. Esse livro me hipnotizou. Devorei-o. Entrou para a minha lista de favoritos.

"(...) peço-lhe neste instante que faça o favor de concordar comigo que uma cicatriz nunca é feia. Isto é o que aqueles que produzem as cicatrizes querem que pensemos. Mas você e eu temos de fazer um acordo e desafiá-los. Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: "―Eu sobrevivi."

As Terras Devastadas

Esse bloguinho tá uma verdadeira terra devastada, né? Tão abandonado, coitado. Não é por nada não. Estive lendo três, até quatro livros ao mesmo tempo e não conseguia terminar nenhum. Lia muito devagar porque cansava logo, ou me sentia culpada por estar lendo fantasia quando deveria estar lendo fisiologia ou histologia ou filosofia. Mas eu sempre conseguia uma folguinha, e agora estou de "férias". Coloquei entre aspas porque universidade pública sabe como é, né? Já estamos com o calendário atrasado, greve dos servidores técnicos, sem previsão para o período de matrícula, enfim.

Mas vamos falar de Stephen King e dAs Terras Devastadas à caminho da Torre Negra. Lendo esse livro percebo o que pode ter me atraído nesse autor. O que ele escreve é tão bizarro, mágico, inesperado, bizarro, fantástico, ridículo e muito bizarro... que quando leio a saga da Torre Negra me sinto como se eu estivesse sonhando acordada criando histórias de fantasia loucas, do tipo que se imagina mas não conta pra ninguém.

É sério. Pra ler a Torre Negra você precisa ter sua mente muito aberta. Porque alguns trechos chegam a ser desconcertantes tamanha a bizarrice (vide monstros de reboco, monotrilhos falantes e demônios oráculos tarados). Aquele homem tem uma mente brilhantemente criativa, mas incrivelmente doentia. Isso você percebe facilmente ao observar a extensão de sua obra.
  
Vou assumir o seguinte: se você está lendo esse texto, é porque já leu os livros anteriores da série (O Pistoleiro e A Escolha dos Três), então não tem problema se eu citar acontecimentos passados, certo? Apesar de toda a bizarrice que citei insistentemente, o suspense é bem trabalhado, de forma a me impedir de abandonar a leitura. Ta bom, reconheço, eu sou um pouco adepta ao bizarro. E além disso, nem só de trechos loucos é que se faz um livro de Stephen King.
Conhecemos Jake no posto de parada, ele acompanhou e foi "abandonado" pelo pistoleiro antes que esse encontrasse os outros escolhidos. Roland precisa que seu grupo (ka-tet) fique completo para cumprir o seu ka - algo como destino -  do qual Jake indiscutivelmente faz parte. Quando Jake morreu no mundo de Roland ele disse haver outros mundos além daquele. Ao encontrar uma porta para nosso mundo, Roland consegue evitar a primeira morte de Jake. A partir desse momento as memórias dos dois se embaralhem. A realidade deles se dividem em duas: uma em que eles se conheceram e outra em que esse encontro nunca aconteceu. Então, ambos tentam reestabelecer a sanidade. Loucura, hein.
Essa saga compõe a parte um do livro, que pra mim, foi a melhor, enquanto a parte dois trata sobre a chegada dos pistoleiros (afinal, todos eles são pistoleiros, não é mesmo?) na cidade de Lud, onde muito babado, confusão e gritaria os estava esperando antes que eles pudessem alcançar as terras devastadas.


No fim das contas é isso o que tenho a dizer sobre esse livro (e sobre a saga até aqui): É muito louco, mas ao mesmo tempo é interessante. Não indicaria essa série a qualquer um. Eu mesma ainda não decidi se gosto. Ando numa relação muito instável: algumas vezes gostando, e algumas outras não... E sigo lendo. 

A Escolha dos Três

Esse é o segundo livro da série A Torre Negra, de Stephen King. Ontem, quando escrevi meu relato sobre o terceiro volume da série, As Terras Devastadas, percebi que não tinha postado sobre A Escolha dos Três. Provavelmente esse post não será tão bom quanto poderia ter sido se fosse escrito logo após  término da minha leitura, mas eu não poderia deixá-lo passar em branco, não é?

Dos três volumes que já li este é o meu favorito. No final de O Pistoleiro, primeiro livro, Roland encontra-se com Walter, o mago que perseguiu por tanto tempo. Este homem misterioso revela ao pistoleiro três cartas de tarô: A Dama das Sombras, O Prisioneiro e A Morte. Roland adormece no local do encontro e desperta em uma praia deserta. 

A Escolha dos Três se inicia nessa tal praia deserta. O pistoleiro, debilitado por conta do ataque de criaturas grotescas e das escassez de água e comida, encontra uma porta na qual se vê escrito O PRISIONEIRO. Sim, uma porta no meio do nada sustentada por coisa alguma. Ele ainda encontrará outras duas portas, como você deve imaginar. E em cada uma delas as profecias de Walter devem se cumprir.

Stephen insiste que este livro é mais completo que o primeiro. Tenho que concordar. Algumas das questões deixadas em aberto em O Pistoleiro são respondidas, mas não totalmente, afinal ainda temos outros cinco volumes para respondê-las. A trajetória neste também é mais dinâmica, mudando de radicalmente de cenário (engraçado ver a forma como Roland encara o nosso mundo com tanta surpresa e admiração) e incluindo personagens bastante interessantes, até mesmo pela forma que eles são apresentados a Roland, literalmente em seus próprios pontos de vista. 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Memórias de uma Gueixa

 Li esse livro em outubro de 2013. Gostei bastante e não sei por qual motivo não consegui escrever minha singela impressão pessoal. Hoje, maio de 2014, tanto tempo depois (não tanto assim, mas minha memória não é lá muito boa, então eu considero bastante tempo) estou finalmente escrevendo meu relato pessoal.

Tenho que falar sobre a urgência que senti em ler essa história. Trata-se do relato de Nitta Sayuri, que ainda não sei se é real ou personagem fictícia. O caso é que essa personagem é extremamente cativante e seu relato me fisgou de tal forma que me fez devorar vorazmente esse livro. Logo, fui surpreendida positivamente, pois eu não esperava que a história fosse me envolver tanto. Principalmente porque eu acreditava se tratar da história de uma gueixa real e eu ter um certo preconceito em relação a histórias reais.
Okay, acabo de checar na internet, Sayuri não existiu de verdade. É meio frustrante saber disso, mas ao mesmo tempo torna o Arthur Golden mais admirável, por ter conseguido adentrar num universo, que apensar de fascinante, é um mistério. Eu tinha uma vaga ideia preconceituosa do que são gueixas, pude reconstruir esse pensamento. O livro me surpreendeu positivamente.

Sobre o fato de Sayuri ser fictícia: A princípio achei extraordinário todos os desencontros (que se provaram na verdade serem encontros) da vida dela e que no fim das contas [spoiler] deu certo, e ela foi feliz. [/spoiler] Crer que uma história como essa, no estilo gata borralheira, é real, soa até ingênuo. Pode até ser. Okay, é. Daí a frustração de saber que é tudo ficção. Por ser uma história linda demais pra ser verdade eu realmente gostaria que assim fosse. E apesar dessa beleza, é bem construída, com o suficiente para encantar uma leitora sonhadora. Mas devo dizer, precisei refletir um pouco e conversar com Carol para pensar assim. Logo que terminei de ler esse livro adorei a personagem, mas eu não conseguia engolir determinados fatos da história que se desencadearam em uma sincronia tão perfeita (foi quando desconfiei que Nitta não fosse real). Engraçado eu gostar tanto que os autores imprimam a realidade em seus personagens e ao mesmo tempo ser fã de fantasia e ter preconceito com biografias (nunca li uma biografia).


Por fim declaro: Adorei conhecer o universo das gueixas. Achei magnífico o retrato de toda a beleza - e da dor que se esconde por trás dela