A primeira vez que
ouvi falar desse livro foi em um dos artigos do Literatortura. O enredo e a
época em que foi escrito me chamou bastante atenção (o livro foi publicado em 1980) e um dia eu estava zapeando
na TV e vi em um canal que o pacote daqui de casa não cobre (risos) o filme baseado
no livro. Fiquei com vontade de assistir e pensei, bom, já que não dá pra
assistir vou ler.
Eu sou muito assim. Algumas coisas chamam a minha atenção por algum motivo particular, no momento eu não tenho aquele impulso de atingir o objetivo (ler, no caso), mas se depois de algum tempo eu entro em contato com alguma coisa que me faz lembrar que aquilo já havia me chamado atenção antes, mesmo que eu não me lembre exatamente o porquê, o impulso se torna maior do que o do primeiro contato. Isso acontece muito comigo, principalmente com livros.
De início
Oscar Wilde demonstra a sua personalidade forte definindo o que é ser artista e
chegando a afirmar que toda arte é
completamente inútil, tendo como justificativa para sua existência ser
profundamente admirada. Penso que essas afirmações fazem bem o feitio de
autores polêmicos (e clássicos), como Wilde é. Ao mesmo tempo que um dos
importantes personagens desse romance o artista Basil destaca que em cada obra
de arte revela não a sociedade, objeto ou ídolo que o inspira, e sim o próprio
artista.
A princípio Dorian Gray não tem noção de sua beleza e do efeito que causa nas pessoas. O que vemos nesse romance é o despertar da personalidade desse rapaz. Pelo amadurecimento natural, pela influência das conversas com o amigo Henry e pela vaidade surgida depois que seu retrato, pintado pelo amigo Basil Hallward fica pronto e é considerado uma obra perfeita. Dorian sente-se tal qual Narciso ao olhar-se no espelho.
- Tenho ciúmes de tudo em que a beleza não morre. Tenho ciúmes do meu retrato que você pintou. Por que há-de ele conservar o que eu tenho de perder? Cada momento que passa rouba-me algo, e dá-o a ele. Ah, se acontecesse ao contrário! Se o retrato pudesse mudar, e pudesse eu ser sempre como sou agora! Por que é que você o pintou? Um dia ele vai desdenhar-me... desdenhar-me terrivelmente.
Dorian Gray é um
jovem rapaz belíssimo que desperta o interesse
de quem o conhece. Especialmente de Basil e Lord Henry. Basil é artista
e Dorian seu objeto de inspiração, enquanto Henry, fascinado pelo comportamento
humano escolhe estudar o efeito de suas influencias sobre o jovem e inocente
Dorian. Ah, como as influências são perigosas... Fizeram o doce e ingênuo
Dorian tornar-se um obcecado por buscar novas experiências em uma vida de
pecados sem a menor responsabilidade. Pelo caminho ele abandonou toda a
moralidade, preocupando-se com nada mais além de si mesmo e da manutenção de
sua beleza, sequer se importando com o que a sociedade pensava de suas
escapadelas refugiando-se em frivolidades e na história de seus antepassados e
outros personagens que julgava fascinantes.
O seu retrato sofre com as marcas de seus pecados e do envelhecimento enquanto Dorian permanece belo, corrompendo cada vez mais a sua alma e desfrutando de tudo o que a vida lhe oferece. O Retrato de Dorian Gray trata sobre a efemeridade da vida e da juventude, e vai além disso, sendo classificado como "romance filosófico", tece tantas outras reflexões, maioria proveniente do encantador, manipulador e sagaz Henry. É um retrato da juventude londrina do século XIX, da qual o próprio Oscar Wilde fazia parte.
Só teci elogios e
falei o quanto a história é interessante. Realmente. Mas demorei a terminar de
ler por achar a narrativa um pouco monótona. Cheguei a pensar em abandona-lo,
mas estava tão curiosa para saber como terminaria a história que não consegui fazer
isso. Por coincidência uma amiga minha estava lendo ao mesmo tempo que eu.
Demos forças uma a outra rs. E não me arrependi. É um livro interessantíssimo. Recomendo.
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