Queridx leitor(a),
Não gosto de
chick-lit. Bem, na verdade eu tenho um preconceito com esse gênero. Digo
preconceito porque os únicos chick-lit que eu já li foram os do Maurício Gomyde
e eu gostei bastante (pelo menos dO Mundo de
Vidro sim, do Ainda não te disse nada,
nem tanto). Mas sabe o que me incomoda e me faz ter esse preconceito com
relação a esses tipos de livro? Sempre imagino que vai ser só mais uma na comédia
romântica. Somente mais da mesma história previsível.
Com @mor foi diferente. Certo, logo no início eu
já imaginava saber qual seria o desfecho. Mas @mor
tem uma proposta inovadora: a história é inteiramente contada através
dos e-mails que os dois protagonistas trocam. Eles nem se conhecem, toda a
relação se inicia por mero acaso e se desenrola e evolui, mas nós acompanhamos
apenas o que eles visualizam em suas caixas de entrada. Claro que há um
contexto, afinal os personagens têm suas vidas além do mundo virtual. E esse
contexto fica por conta da nossa imaginação. Mas não é apenas isso que torna o
livro interessante. Os personagens são incrivelmente verdadeiros e se expõem um
ao outro muito abertamente, de uma forma que eu não teria coragem de falar a
alguém, mesmo que fosse um estranho, que não tem a intenção de me conhecer
pessoalmente.
Dois estranhos trocando e-mails carregados de sentimentos
(sem serem melosos, por favor) e aos poucos se apaixonando por aquela imagem
criada em suas mentes. Amor platônico. Pura, simples e reconhecidamente. Duas pessoas francas e completamente transparentes. Os seus
pensamentos mais puros e os mais profanos, todos expostos. Talvez de uma forma
espontânea, talvez de uma forma calculada. Claro, todo mundo tem uma forma
única de se expressar, mas a depender da habilidade com as palavras, pode-se
soar diferente da realidade, dando margem para que no imaginário, as lacunas
deixadas nas mensagens, sejam preenchidas com expectativas perfeitas e
apaixonantes que nunca seriam desfeitas se não houvesse um encontro.
Daniel Glattauer soube explorar muito bem essa sua
ideia inovadora dentro do universo chick-lit, criando personagens envolventes,
contraditórios, apaixonados, intensos e lindos. E o final? Bem, o final é
satisfatório, se encaixa muito bem. Não soa como essas coincidências
mirabolantes raízes de muitas das minhas decepções literárias. Não gosto de nada perfeitinho demais e adoro quando o
autor dá margem à minha imaginação. Foi aí que Daniel me ganhou. Em @mor eu me
sentia parte da construção da história. Gostei da experiência.
Cordialmente,
Manu
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