segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O Retrato de Dorian Gray

A primeira vez que ouvi falar desse livro foi em um dos artigos do Literatortura. O enredo e a época em que foi escrito me chamou bastante atenção (o livro foi publicado em 1980) e um dia eu estava zapeando na TV e vi em um canal que o pacote daqui de casa não cobre (risos) o filme baseado no livro. Fiquei com vontade de assistir e pensei, bom, já que não dá pra assistir vou ler.

Eu sou muito assim. Algumas coisas chamam a minha atenção por algum motivo particular, no momento eu não tenho aquele impulso de atingir o objetivo (ler, no caso), mas se depois de algum tempo eu entro em contato com alguma coisa que me faz lembrar que aquilo já havia me chamado atenção antes, mesmo que eu não me lembre exatamente o porquê, o impulso  se torna maior do que o do primeiro contato. Isso acontece muito comigo, principalmente com livros.

 
De início Oscar Wilde demonstra a sua personalidade forte definindo o que é ser artista e chegando a afirmar que toda arte é completamente inútil, tendo como justificativa para sua existência ser profundamente admirada. Penso que essas afirmações fazem bem o feitio de autores polêmicos (e clássicos), como Wilde é. Ao mesmo tempo que um dos importantes personagens desse romance o artista Basil destaca que em cada obra de arte revela não a sociedade, objeto ou ídolo que o inspira, e sim o próprio artista.
 

A princípio Dorian Gray não tem noção de sua beleza e do efeito que causa nas pessoas. O que vemos nesse romance é o despertar da personalidade desse rapaz. Pelo amadurecimento natural, pela influência das conversas com o amigo Henry e pela vaidade surgida depois que seu retrato, pintado pelo amigo Basil Hallward fica pronto e é considerado uma obra perfeita. Dorian sente-se tal qual Narciso ao olhar-se no espelho.

- Tenho ciúmes de tudo em que a beleza não morre. Tenho ciúmes do meu retrato que você pintou. Por que há-de ele conservar o que eu tenho de perder? Cada momento que passa rouba-me algo, e dá-o a ele. Ah, se acontecesse ao contrário! Se o retrato pudesse mudar, e pudesse eu ser sempre como sou agora! Por que é que você o pintou? Um dia ele vai desdenhar-me... desdenhar-me terrivelmente.

Dorian Gray é um jovem rapaz belíssimo que desperta o interesse  de quem o conhece. Especialmente de Basil e Lord Henry. Basil é artista e Dorian seu objeto de inspiração, enquanto Henry, fascinado pelo comportamento humano escolhe estudar o efeito de suas influencias sobre o jovem e inocente Dorian. Ah, como as influências são perigosas... Fizeram o doce e ingênuo Dorian tornar-se um obcecado por buscar novas experiências em uma vida de pecados sem a menor responsabilidade. Pelo caminho ele abandonou toda a moralidade, preocupando-se com nada mais além de si mesmo e da manutenção de sua beleza, sequer se importando com o que a sociedade pensava de suas escapadelas refugiando-se em frivolidades e na história de seus antepassados e outros personagens que julgava fascinantes.

O seu retrato sofre com as marcas de seus pecados e do envelhecimento enquanto Dorian permanece belo, corrompendo cada vez mais a sua alma e desfrutando de tudo o que a vida lhe oferece. O Retrato de Dorian Gray trata sobre a efemeridade da vida e da juventude, e vai além disso, sendo classificado como "romance filosófico", tece tantas outras reflexões, maioria proveniente do encantador, manipulador e sagaz Henry. É um retrato da juventude londrina do século XIX, da qual o próprio Oscar Wilde fazia parte.

 
Só teci elogios e falei o quanto a história é interessante. Realmente. Mas demorei a terminar de ler por achar a narrativa um pouco monótona. Cheguei a pensar em abandona-lo, mas estava tão curiosa para saber como terminaria a história que não consegui fazer isso. Por coincidência uma amiga minha estava lendo ao mesmo tempo que eu. Demos forças uma a outra rs. E não me arrependi. É um livro interessantíssimo. Recomendo.

domingo, 14 de setembro de 2014

Salut

Não confie no meu Skoob.
 
O blog andou parado por algum tempo. Não é que eu tenha parado de ler. Estou lendo bastante Histologia, Fisiologia, Epidemiologia, Bioestatística, Embriologia... Ando meio ocupada. E não estou sabendo organizar muito bem o meu tempo. E me sentia culpada quando deixava de estudar para me distrair lendo um livro. Vocês não tem noção. Desde o início do semestre que eu já me sinto como se estivesse no fim do semestre. Quanta coisa pra fazer... Estou ficando loooucaaa
 
Outro motivo é que eu não estava conseguindo terminar uma livro. Eu começava a ler um, chegava no meio, surgia algum outro, eu não abandonava, continuava lendo os dois ao mesmo tempo, e acabava não terminando nenhum.

O que estou lendo.
Vou organizar meu tempo e finalmente atualizar o Skoob. Tirar as teias de aranha do blog.

Au revoir.

@mor

Queridx leitor(a),

Não gosto de chick-lit. Bem, na verdade eu tenho um preconceito com esse gênero. Digo preconceito porque os únicos chick-lit que eu já li foram os do Maurício Gomyde e eu gostei bastante (pelo menos dO Mundo de Vidro sim, do Ainda não te disse nada, nem tanto). Mas sabe o que me incomoda e me faz ter esse preconceito com relação a esses tipos de livro? Sempre imagino que vai ser só mais uma na comédia romântica. Somente mais da mesma história previsível.

Com @mor foi diferente. Certo, logo no início eu já imaginava saber qual seria o desfecho. Mas @mor tem uma proposta inovadora: a história é inteiramente contada através dos e-mails que os dois protagonistas trocam. Eles nem se conhecem, toda a relação se inicia por mero acaso e se desenrola e evolui, mas nós acompanhamos apenas o que eles visualizam em suas caixas de entrada. Claro que há um contexto, afinal os personagens têm suas vidas além do mundo virtual. E esse contexto fica por conta da nossa imaginação. Mas não é apenas isso que torna o livro interessante. Os personagens são incrivelmente verdadeiros e se expõem um ao outro muito abertamente, de uma forma que eu não teria coragem de falar a alguém, mesmo que fosse um estranho, que não tem a intenção de me conhecer pessoalmente.

Dois estranhos trocando e-mails carregados de sentimentos (sem serem melosos, por favor) e aos poucos se apaixonando por aquela imagem criada em suas mentes. Amor platônico. Pura, simples e reconhecidamente. Duas pessoas francas e completamente transparentes. Os seus pensamentos mais puros e os mais profanos, todos expostos. Talvez de uma forma espontânea, talvez de uma forma calculada. Claro, todo mundo tem uma forma única de se expressar, mas a depender da habilidade com as palavras, pode-se soar diferente da realidade, dando margem para que no imaginário, as lacunas deixadas nas mensagens, sejam preenchidas com expectativas perfeitas e apaixonantes que nunca seriam desfeitas se não houvesse um encontro.

Daniel  Glattauer soube explorar muito bem essa sua ideia inovadora dentro do universo chick-lit, criando personagens envolventes, contraditórios, apaixonados, intensos e lindos. E o final? Bem, o final é satisfatório, se encaixa muito bem. Não soa como essas coincidências mirabolantes raízes de muitas das minhas decepções literárias. Não gosto de nada perfeitinho demais e adoro quando o autor dá margem à minha imaginação. Foi aí que Daniel me ganhou. Em @mor eu me sentia parte da construção da história. Gostei da experiência.
 
Cordialmente,

Manu