sábado, 24 de novembro de 2012

Herdeiros de Atlântida


Cá estou eu mais uma vez lendo uma série de fantasia. Esse livro é do meu tio e já estava dando bobeira por aqui faz um tempinho, e como eu já tinha tentado ler A Batalha do Apocalipse, que é do mesmo autor mas não levei à diante, nunca tinha me interessado em ler antes. Então posso dizer que superou minhas expectativas, já que gostei bastante.
Com esse primeiro volume da série Filhos do Éden, Eduardo Spohr mistura componentes celestiais e mundanos dando aos personagens principais, que são anjos, sentimentos semelhantes aos dos seres humanos.
Gostei de ter uma líder feminina, do mix de elementos de várias culturas e da forma como ele passeia entre o passado e o presente, trazendo novas interpretações (fictícias) para fatos históricos reais. 
Cada personagem do núcleo heróico, digamos assim, possui uma personalidade bastante marcante e divergente, em parte por causa das castas celestiais, que molda o comportamento dos celestes.
As narrativas das batalhas são sanguinárias, e nossos heróis podem falhar, vejam só. E ainda há espaço para diálogos divertidos e reflexões filosóficas.

- Cada porta aberta leva a muitas outras, portanto, quanto mais aprendemos, mais afastados estamos da verdade. Por isso, minha filosofia é simples: dirija rápido, mantenha-se bêbado e nunca dispense uma boa briga.
Ela riu, diante do paradoxo que encerrava o anjo Denyel - era sábio para tantas coisas, e potencialmente fútil para outras.

Ainda existem várias lacunas a serem preenchidas, e o segundo livro,  Anjos da Morte foi lançado a pouco tempo. Já está na minha lista.
Ah, não posso deixar de mencionar uma canção que aparece toda hora durante a história e que despertou minha curiosidade Can't Take My Eyes Off You, do Frankie Valli. Tive que procurar pra ouvir, e po, eu conheço essa música, e você também, rs.


You're just too good to be true
can't take my eyes off of you
You'd be like heaven to touch
I wanna hold you so much
At long last love has arrived
and I thank God I'm alive
You're just too good to be true
can't take my eyes off you

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Carrie, a Estranha

Carrie foi o primeiro livro de Stephen King, e por pouco que essa publicação não sai. Segundo pesquisei pela internet afora, isatisfeito com a ideia da história da moça esquisita e telecinética, Stephen jogou fora os esboços da obra. Foi sua esposa que o resgatou da lixeira, leu, achou incrível e incentivou o marido a continuar escrevendo e publicar. E olha, obrigada por isso, Sra King.

Esse livro foi um grande sucesso que rendeu uma versão cinematográfica, que agora terá um remake com direito a Chloe Moretz no papel principal. Mas não é de cinema que vou falar, apesar de estar animada para assistir ao filme que estréia ano que vem.  

Quando comecei a ler eu estava esperando algo aterrorizante, mas Carrie vai além disso. A nossa protagonista é uma adolescente excluída e que sofre bastante nesse ambiente que é tão hostil aos que se mostram diferentes, o high school, o que chega a ser um clichê das obras sobre adolescentes.

- Mas dificilmente alguém descobre que suas ações chegam realmente a ferir os outros! As pessoas não vão se tornando melhores, apenas mais espertas. E não e por ficarem mais espertas que param de arrancar as asas das moscas.O que fazem é apenas achar uma justificativa a melhor para fazê-lo. Uma porção de meninas diz que tem pena de Carrie White - quase sempre são meninas, o que é até engraçado, mas que nenhuma delas realmente tem idéia do que é ser Carrie White todos os segundos do dia. E no fundo elas estão pouco se importando.

Já começamos a leitura sabendo como a história termina, e frequentemente a história é interrompida por relatos de sobreviventes e estudos sobre telecinese e a história de Carrie, e algumas vezes esses trechos nos adiantam o que vai acontecer a seguir. Ao contrário do que eu poderia pensar essa previsibilidade não atrapalha. A todo momento eu ficava no suspense de quando e como vai acontecer.

Os abusos da mãe psicótica, fanática religiosa combinados com os maus tratos dos colegas desencadearam tudo. Ela não encontrava apoio em nada nem ninguém. É impossível, pra mim, enxergá-la como uma vilã. Toda essa discussão sobre bullying é bastante complexa por causa disso. Como condenar uma reação violenta, sendo ela vinda de uma pessoa que foi tão discriminada?

É toda essa análise somada à questão sobrenatural da telecinese que tornam esse livro tão fascinante.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A Marca da Besta

A Marca da Besta é o terceiro volume de uma trilogia intitulada O Reino das Sombras. É evidente que eu deveria ter começado pelo começo e ter lido o primeiro volume, e eu teria feito isso se tivesse a série completa em mãos. Esse livro foi um presente que deram ao meu tio (acredito que a pessoa não tenha se atentado para esse detalhe), de forma que estava aqui em casa de bobeira e eu resolvi ler.
Em alguns momentos vejo referências aos livros anteriores, sinto como se a minha compreensão do que o autor queria passar seja prejudicada, entretanto não tive dificuldades em entender, pois esse livro não é um romance convencional.

Primeiro o que me chamou logo atenção foi a arte da capa e as figuras que marcam o início dos capítulos. Sim, sou dessas que gostam de figuras.

É complicado falar desse livro, até mesmo porque há certas coisas que eu não compreendo, mas vou tentar explicar o melhor que der.

Para começar, o autor é Robson Pinheiro, pelo espírito Ângelo Inácio. Sim, é espírita. E muito impactante. Somos levados a crer que a história contada aqui é verdadeira. Eu disse que não era um romance convencional porque o principal objetivo, na minha concepção, não é entreter, mas passar ensinamentos.
O Apocalipse se aproxima, e ao contrário do que comumente pensamos isso não quer dizer que o planeta será destruído ou coisa assim, mas que todos os espíritos, encarnados e desencarnados, serão julgados e transportados para mundos que estejam de acordo com sua evolução espiritual. É, não estamos sozinhos no universo, existem outros mundos, outras dimensões, tanto de seres mais evoluídos espiritualmente, quanto o inverso (se levarmos em conta toda a teoria isso também, é possível, não?).
Neste livro vemos a "preparação" para os acontecimentos que antecedem esse evento, além dos esclarecimentos tanto a respeito do poder dos daimons quanto dos espíritos a serviço do Cordeiro.
Também há muitas notas de rodapé esclarecendo os conceitos que provavelmente o leitor não compreenda, ou que tenha a curiosidade de pesquisar (eu pesquisei bastante coisa durante a leitura).

Aqui os planos dos dragões (ou daimons, ou demônios, ou Lúcifer, ou Legião, tudo se refere à mesma coisa: os sete "seres" que governam o abismo e odeiam a humanidade) e suas ações para manipular os humanos são expostos. É algo tão surreal que é difícil de acreditar, penso que até mesmo para pessoas adeptas ao espiritismo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O Festim dos Corvos


Com os outros volumes da série me esforcei para não deixar nada escapar sobre o livro anterior, mas dessa vez acabei revelando algumas coisinhas dos outros livros. É um desabafo descompromissado, e quem não leu o livro provavelmente vai ficar boiando, mas até que não tem nenhum grande spoiler.

Esse foi o livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo que eu mais demorei para ler. No início eu nem estava gostando tanto assim. Em parte porque o ritmo é diferente, menos eletrizante, digamos assim e em parte por que George R. R. Martin, vendo que o volume do livro ficaria extenso demais, e sentindo-se insatisfeito com a ideia de cortar o livro pela metade, resolveu contar a história inteira pelo ponto de vista de metade dos personagens, e isso fez com que alguns de meus personagens favoritos ficassem de fora.

O ritmo desse volume é mais desacelerado. Já não há batalhas. Pelo menos não aquelas que se ganha com exércitos armados, mas ainda assim vemos muita violência. Os corvos tanto vazem festim pelos resquícios dos combates sanguinolentos anteriores como também por uma tal matilha de lobos selvagens comandada por uma loba gigante, mas principalmente pelos ataques dos fora-da-lei, principalmente por causa destes, que tocam o terror por todo canto que passam, sem contar com os que acompanhavam Lorde Beric, que antes buscavam justiça, mas agora sob o comando de uma tal senhora a quem chamam Coração de Pedra, ninguém encontra outra piedade senão a da forca. Desde o início eu já sabia quem era essa tal mulher, mas imaginava que ela estivesse seguindo os mesmos passos de seu seis vezes morto predecessor, mas, nossa, quando a trouxe de volta à vida Beric Dondarrion estava cometendo um grande erro.
É nesse cenário desolado que Brienne está na sua busca e através dos olhos dela enxergamos a miséria em que se encontra o povo. Sempre simpatizei com Brienne e gostei de vê-la tendo mais espaço e conhecer melhor sua história.

Nunca imaginei que fosse gostar de Jaime Lannister, desde o A Fúria dos Reis  tenho mudado a minha visão a respeito dele, e agora me parece um homem muito diferente do que costumava ser, mas apesar disso sua fama o precede, e claro que ninguém vai acreditar que o Regicida é um homem de honra. E isso é uma pena.

Gostaria de ver mais Arya, ou Nan, ou Arry, ou Pombinha, ou Salgada ou seja lá qual outro nome essa menina já tenha adotado, sendo o mais recente Gata das Docas. Mas ela na verdade não quer ser ninguém. Me incomoda vê-la tentando perder sua personalidade. E também há Sansa, quero dizer, Alayne, filha ilegítima de Patyr Baelish, e que homem astuto e traiçoeiro é este... Engraçado como no primeiro livro os Starks eram com certeza os personagens principais, mas agora as atenções estão focadas em outras casas como os Martell e os Greyjoy, que eu nem dava assim tanta importância.

Algumas coisas me intrigam, como quem seria o misterioso homem e o que ele teria feito com Pate? Ao terminar tive que reler o prólogo para entender melhor e só fiquei mais confusa. Sam está entrando em uma armadilha? Se bem que não vejo muitas alternativas para ele na situação em que se encontra e essa minha curiosidade só vai ser saciada dois livros adiante.

O Festim dos Corvos é um livro diferente dos anteriores, mas continua sendo ótimo. Mesmo sem tantas reviravoltas, ainda haviam muitas intrigas e conseguiu deixar um gosto de precisourgentementeleropróximo. Ao terminar tive impressões distintas: senti um nó na garganta e uma sensação de justiça, fiquei confusa e surpresa.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A Tormenta de Espadas

Quando vi esse livro pela primeira vez me assustei com suas 884 páginas. Em mãos erradas ele pode ser uma arma mortal, de tão pesado. Acho que iria levar o ano inteiro para lê-lo, mas me enganei novamente. Esse livro é viciante! Quando eu começava a ler só parava quando já estava cansada e não aguentava mais.

A Tormenta de Espadas é o terceiro volume da série As Crônicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin. Se eu estava com o pé atrás antes de ler o primeiro livro me maravilhei com o segundo, não sei nem o que dizer desse terceiro. Surpreendente.
Quando escrevi sobre A Fúria dos Reis coloquei a obra lá em cima, mas o terceiro, - gente, como isso é possível?! - é muito melhor.
Uma coisa sobre a qual eu e Victor, meu tio estávamos conversando é que quando você acha que uma titiquinha de coisa boa vai acontecer, G.R.R.Martin vem e acaba com tudo. É uma desgraça atrás da outra (misericórdia!), e quando você pensa: não, esse livro só tem miséria, isso também não vai acabar bem... Ele te surpreende de novo e nos brinda com um desfecho que não é a myzéra que esperávamos, mas também não é plano perfeito que o personagem bolou.
Ainda frustrada por não ter percebido certos eventos dos livros anteriores, que eu só vim descobrir por causa do blockbuster da HBO, li ainda mais atentamente e fiquei de boca aberta com certas intrigas que aparecem sutilmente, e também pela forma como alguns mistérios deixados em aberto são solucionados.. nossa.
É difícil dizer o que mais me agrada no estilo de Martin. Acho intrigante como não consigo distinguir os mocinhos dos vilões e como não faço ideia de quem irá vencer essa guerra. Não há um tiquinho da história que seja previsível, e, gente, preciso urgentemente começar a ler O Festim dos Corvos.

"-Mantenha sempre seus inimigos confusos. Se nunca estiverem seguros de quem é ou do que quer, não podem saber o que é provável que faça em seguida. Às vezes, a melhor maneira de confundi-los é fazer coisas que não têm nenhum propósito, ou até que parecem prejudicar você. (...)." (fala do personagem Petyr Baelish)

Fim do Jogo

Eu não tinha lá grandes expectativas a respeito dessa obra, mas me surpreendi. E me decepcionei também.

Frank Peretti e Ted Dekker se uniram para escrever esse thriller cheio de suspense. Li bem rapidinho, em dois dias, na verdade, por que eu não conseguia me desligar do livro. Esses dois realmente sabem como manter a atenção do leitor, e olhe que eu não tava levando muita fé, principalmente no início, com o clássico "casal perdido numa estrada estranha tendo que se abrigar numa pousada esquisita", mas depois essa impressão foi desfeita e me deparei com uma obra insana, que ficava meio confusa as vezes, mas que me fez ficar vidrada.
Se fosse para avaliar o suspense eu daria cinco estrelinhas para ele, por que o ritmo da narrativa me deixava eletrizada, maaaas (tinha que ter um "mas") a história é pobre. É surreal demais, muito louca! E o final, então?
Tanto me decepcionei que quando terminei a impressão que tive foi muito ruim, mas não vamos descartar o livro todo por causa disso, né? Não é uma grande obra, mas valeu à pena ter lido (principalmente pra mim que nunca li muito do gênero). Pensei até em procurar mais livros desses dois autores.

sábado, 28 de julho de 2012

O Apanhador no Campo de Centeio


Eu estava assistindo Criminal Minds,e Reid se referiu a esse livro como - se não me engano - o favorito dos serial killers. Eu pensei já ter visto esse nome antes... E voi la! Na minha estante "vou ler" do Skoob lá estava: O Apanhador no Campo de Centeio - J. D. Salllinger.
Criei enormes expectativas a respeito do livro e, lamento dizer, me decepcionei.
No início pensei que vocabulário paupérrimo de Holden, personagem principal e narrador do livro, tornaria a leitura mais divertida. Não ligo para as gírias do tempo do ronca, mas ele repetia demais expressões como "no duro" ou "coisa que o valha". Eu até entendo, os adolescentes falam assim mesmo, repetem os mesmos bordões o tempo todo, e Holden chega até a se explicar: "Eu também vivo dizendo 'Puxa!', em parte porque tenho um vocabulário horroroso, e em parte porque às vezes me comporto como se fosse um garoto."

Holden é de certa forma contraditório. Ele chama todo mundo (com exceção de seus irmãos e de umas freiras que ele acaba conversando e Jane) de cretino, abomina rapazes que tentam tirar vantagem das garotas e pessoas que se sentem o máximo. Ele odeia tudo e todos. Em determinado momento quando desafiam ele a dizer alguma coisa da qual ele goste, Holden não consegue pensar em nada além do seu irmão que morreu e da irmã mais nova, Phoebe. Mas ao mesmo tempo em que é tão revoltado ele consegue ser singelo, cativante.

A história começa quando nosso protagonista é expulso (de novo!) do colégio interno e resolve fugir. Mas ele não quer ir direto pra casa antes das férias (que ainda vão durar quatro dias) e ter que se explicar pros seus pais. Portanto ele vai pra rua matar seu tempo. É apenas isso: um garoto de 16 anos matando seu tempo. Durante esse período ele se embaraça com prostitutas, reencontra velhos companheiros, vai para diversos bares, conhece uma porção de gente entre coroas saidinhas e freiras legais. Ele liga e sai com uma menina da qual não gosta da muito (Sally), enquanto durante todo o tempo de sua "aventura" está pensando em Jane, mas nunca consegue coragem de ligar pra ela.
Juro por Deus que, se eu fosse um pianista, ou um autor, ou coisa que o valha, e todos aqueles bobalhões me achassem fabuloso, ia ter raiva de viver. Não ia querer nem que me aplaudissem. As pessoas sempre batem palmas pelas coisas erradas. Se eu fosse pianista, ia tocar dentro de um armário.
Holden às vezes me lembra uma pessoa que conheço. Eu gostei dele, mas não do livro, entende?
Achei chato, desconexo, senti falta de um clímax, é, acho que foi isso. Demorei bastante tempo pra ler, e cheguei a pensar em largar, mas sou teimosa ou certinha demais pra isso. E fiz bem, se não tivesse continuado nunca teria entendido o título e passado a gostar um pouquinho mais do livro.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Feios


Feios, de Scott Westerfeld, é um romance futurista que tem como protagonista a personagem Tally Youngblood. Nesse futuro imaginário todo adolescente ao completar 16 anos passa por uma intervenção cirúrgica para se tornar "perfeito", antes disso todos eles são "feios" e moram em cidades separadas. A justificativa dada às pessoas desde pequenos, na escola, é que se todos forem iguais, não haverá disputas, guerras e injustiças. Parece dar certo, pois todos os perfeitos que Tally observa quando vai às escondidas para Nova Perfeição vivem felizes, festejando o tempo todo.

O romance é dividido em três partes - Tornando-se perfeita, A  Fumaça e No fogo. A primeira não me atraiu muito (cheguei a pensar em abandonar a leitura), porém em determinado momento houve uma reviravolta e  a história (finalmente!) se tornou mais dinâmica. Os pontos altos são os finais e inícios das três partes. Depois o ritmo cai e tudo fica meio monótono.

O que de início parecia uma trama superficial de uma garota que se acha feia e quer ser linda, encontrar com seu melhor amigo e permanecer com sua nova amiga se transforma em algo muito mais elaborado, com direito a agentes secretos e grupos de resistência. Eu gostei da forma como os Enferrujados (nós) eram comparados aos habitantes daquela época. É estranho imaginar o nosso modo de vida como algo ultrapassado.

Preciso falar da protagonista. Em determinado momentos eu detestei Tally. Ela é divertida, esperta, apronta bastante, mas certas atitudes dela foram egoístas demais e quando e se arrependeu, já era tarde.

O final não chega a ser alucinante, mas prende o suficiente para o leitor desejar continuar lendo a série.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A Cura de Schopenhauer



Nos Agradecimentos Irvin D. Yalom chama sua obra de "estranha mistura de ficção, psicobiografia e pedagogia da psicoterapia". Terminei de ler me sentindo realmente uma aluna estudando sobre psicotrapia, e digo mais: achei interessantíssimo.

- Eu diria que Schopenhauer curou você, mas agora você precisa se curar dele. - disse Tony (p. 573)
Não sei bem por qual motivo me interessei por esse livro. Não conheço outras obras do autor e nunca tinha ouvido falar desse tal de Schopenhauer, aliás, antes de começar a ler, perdoe a ignorância, eu pensava que Artur Schopenhauer era um mero personagem fictício. Além disso as 614 páginas me fizeram desanimar. Tanto é que só comecei a lê-lo agora, depois de 7 meses de tê-lo adquirido.
Demorei pra começar a ler, mas digo que foi numa ótima fase da minha vida. Comecei a ler logo após uma conversa que tive com um amigo e que me fez pensar sobre mim mesma, sobre a forma que eu me expressava e sentia, e a partir de então passei a valorizar três qualidades: objetividade, sinceridade e clareza.
Gosto de livros que me proporcionam essa reflexão.

No primeiro momento simpatizei com Julius e fiquei curiosa sobre a forma com a qual ele iria lidar com seu problema. Tudo só ficou ainda mais interessante com a introdução de Philip. Gosto de personagens problemáticos e imprevisíveis, e ele é um desses. Em contrapartida, achava os capítulos sobre Artur um saco! - sempre me irritei com livros que intercalavam os capítulos, criando uma espécie de suspense, mas sempre dava certo comigo e eu prosseguia lendo - Mas com a evolução da leitura vi como as duas (ou seriam as três?) histórias estavam interligadas e me interessei mais pela vida infeliz desse filósofo brilhante e pessimista.

O mundo assume um aspecto sorridente quando temos motivo para nos alegrar e um ar sombrio quando pesa sobre nós a tristeza. (p. 409)

Meus capítulos preferidos foram os das sessões da terapia em grupo. Os personagens evoluíam e sempre faziam observações interessantes. Consegui me identificar em quase todos eles e em determinados momentos parecia até que o texto era direcionado a mim.

Em certos aspectos me identifiquei com Shopenhauer. O achei fascinante. Gênio e louco.

Que desapontamento encontrar um pensador tão importante, mas tão agressivo; com tanta visão e, ao mesmo tempo, tão cego. (p. 366)

Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossa própria loucura, fracasso e vício. Pois eles são os fracassos da humanidade à qual também pertencemos e assim temos os mesmos fracassos em nós. Não devemos nos indignar com os outros por esses vícios apenas por não aparecerem em nós naquele momento. (p. 561)

Fico sem palavras para descrever a grandiosidade desse filósofo. 


terça-feira, 10 de julho de 2012

Papeis Avulsos


Antes de começar a ler essa compilação de contos movida pela obrigatoriedade do vestibular não imaginava que fosse gostar tanto, principalmente por conta do preconceito que tenho com livros clássicos (estou melhorando isso). Publicado em 1882, e estamos falando de ninguém menos que Machado de Assis, ele que, como meu professor de literatura costuma falar, é um autor tão completo e complexo que em si próprio é uma escola literária inteira. Machadianismo.
Eu ia ler só O Alienista e Teoria do Medalhão, que são os mais cobrados nas provas, mas foi tão bem recomendado que resolvi ler Papeis Avulsos inteiro. Logo no prefácio o autor nos explica o título. “Papeis Avulsos” nos traz uma ideia de desorganização, que os contos nada tem a ver uns com os outros, mas não. Até mesmo por se tratar de Machado, e ele ter uma escrita muito particular os contos geralmente traziam uma temática parecida.
Em todos, sem exceção, vemos a questão da ascensão social. Os personagens fazem de tudo para conseguir status, e eu diria que o caso em que isso fica mais explícito é na Teoria do Medalhão, no qual o pai aconselha o filho a ser aquilo que a sociedade deseja que ele seja, sem dar atenção às suas próprias vontades, para que ele seja um homem respeitável. Ele deveria deixar de lado sua própria identidade, deixar de viver sua vida para que os outros vivessem por ele.
O papel da sociedade é sempre questionado. E essa chega a ser uma temática atual: nos preocupamos demais com o que os outros vão pensar de nós e acabamos nos perdendo e deixando de ser quem somos.
Me envolvi com o delírio da Chinela Turca, o Alienista, mais louco que qualquer outro dos seus pacientes e o inacreditável Segredo do Bonzo - dentre outros contos, como D. Benedita, La Serenissíma República, Verba Testamentária....

—Suponho o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia e só insânia. (trecho de O Alienista)

É uma obra insana. No bom sentido.

domingo, 6 de maio de 2012

O Caso dos Dez Negrinhos

Ela conseguiu de novo. Me enganou direitinho, essa Agatha.

Dez pessoas desconhecidas são convidadas por um tal de O. N. Owen para uma semana de veraneio numa misteriosa ilha recém adquirida por ele. Ninguém desconfia do terrivel plano que iria se seguir.
Todos os convidados são acusados de crimes e saíram impunes por não haverem provas, ou sequer suspeitas. Talvez nem eles mesmos se considerassem assassinos... Mas há um "justiceiro" entre eles. A trama se desenrola na tentativa de descobrir quem é o misterioso senhor O. N. Owen. Se isso já não bastasse ele ainda se guia por um poema infantil.

Dez negrinhos vão jantar enquanto não chove;
Um deles se engasgou e então ficaram nove.
Nove negrinhos sem dormir: não é biscoito!
Um deles cai no sono, e então ficaram oito.
Oito negrinhos vão a Devon de charrete;
Um não quis mais voltar, e então ficaram sete.
Sete negrinhos vão rachar lenha, mas eis
Que um deles se corta, e então ficaram seis.
Seis negrinhos de uma colmeia fazem brinco;
A um pica uma abelha, e então ficaram cinco.
Cinco negrinhos no foro, a tomar os ares;
Um ali foi julgado, e então ficaram dois pares.
Quatro negrinhos no mar; a um tragou de vez
O arenque defumado, e então ficaram três.
Três negrinhos passeando no Zoo. E depois?
O urso abraçou um, e então ficaram dois.
Dois negrinhos brincando ao sol, sem medo algum;
Um deles se queimou, e então ficou só um.
Um negrinho aqui está a sós, apenas um;
Ele então se enforcou, e não ficou nenhum.
O suspense me fez ficar ligada e só descansar depois de descobrir o mistério. Consegui eliminar alguns das minhas suspeitas (nesses consegui acertar), mas de jeito nenhum descobri quem era o assassino. Fiquei boquiaberta quando foi revelada a solução do mistério, pois era bastante óbvio, entretanto fugia do comum.
A graça de ler um romance de Agatha Christie, para mim não é a semelhança com a realidade, porque no final tudo é quase sempre muito absurdo, mas a imprevisibilidade me atrai.

Comprei o livro com o título de O Caso dos Dez Negrinhos, mas essa edição é de 1981. De lá pra cá algumas coisas mudaram, como o título - originalmente Ten little niggers - foi alterado de início nos EUA para And Then There Were None e não sei bem dizer quado a mudança ocorreu no Brasil. Se você for procurar por uma versão atual vai encontrar E Não Sobrou Nenhum. Um título bastante inteligente que nos conta o final da história.
Há uma outra mudança. No poema que transcrevi não são mais dez negrinhos, e sim dez soldadinhos, assim como as imagens de porcelana existentes da mesa de jantar da mansão onde se passa a trama também foram substituídas na nova versão.
Não entendo muito de inglês, mas se não me engano, a expressão "nigger" é mais ofensiva para os americanos do que "negro" é aqui no Brasil, e a obra sofreu essa mudança por ter sido considerada racista.

sábado, 24 de março de 2012

Brida

Viver é mais importante do que entender

Paulo Coelho é um autor muito criticado. Até agora Brida foi o segundo romance do autor que eu li, e não achei tão ruim quanto dizem. Na verdade, pesquisando um pouco mais, percebi que as opiniões a respeito dele divergem bastante: há muitas pessoas que detestam e outras tantas que acham o máximo. Não concordo nem com um grupo nem com o outro.
Gostei de Brida. Encarei a leitura como ficção. Apesar do Paulo insistir ser tudo verídico, não acredito em toda essa "magia".
Não me identifico como fã de auto-ajuda, mas esse livro me trouxe para várias reflexões. Na realidade, era uma lição à cada virar de página. O próprio livro - que aliás, me foi muito bem recomendado, daí toda a minha vontade de lê-lo - estava cheio de sublinhados e frases escritas à lápis. E o engraçado é que as reflexões da antiga dona contrastavam com as minhas.

Brida nos leva para o aprendizado das Tradições da Lua e do Sol, nas quais ela se descobre e adentra no mundo da magia, como a bruxa que é. Apesar de não levar a história à sério, achei interessante a visão que ele trás da cultura dessas mulheres (há homens na tradição também, mas nessa história elas dominam) que já sofreram tanto no passado com a Inquisição, e que mantém sua cultura até hoje, pelo que nos é narrado.

Não vou mentir, fiquei pensando na minha Outra Parte e tentando ouvir o "som do mundo", mas o lóbulo da minha orelha não é preso, então não devo ser bruxa.

"-Todos nós estamos no mundo para correr os riscos da Noite Escura, Senhor. Tenho medo da morte, mas não quero perder a vida. Tenho medo do amor, porque ele envolve coisas que estão além de nossa compreensão; sua luz é imensa, mas sua sombra me assusta." (pag. 230)

domingo, 11 de março de 2012

A Fúria dos Reis

Nesse livro, que é o segundo da série As Crônicas de Gelo e Fogo, George R. R. Martin nos brinda com uma narrativa detalhada, mas que não peca por excessos. Acompanhar a evolução dos personagens do primeiro livro, entre outras coisas, tornou a leitura deste a minha preferida entre os dois.
Com a morte do Rei Robert, a trama desta vez se constrói em torno dos cinco "candidatos" a reis de Westeros. Há ainda a presença de um enigmático cometa vermelho ao qual cada personagem interpreta à sua forma, porém nós leitores temos uma ideia melhor do que ele realmente representa.
Personagens que eu não imaginava que se tornariam tão importantes desempenham um grande papel nessa nova fase da história, temos mais vilões para odiar. Apesar de toda a submissão e dependência feminina ser bastante aparente, ganhamos novos personagens femininos que buscam exatamente o contrário, além das que acompanhamos desde o livro anterior. É estranho, mas passei a simpatizar com personagens odiáveis, e detestar outros aos quais nem dava tanta importância.
Vemos trechos de extrema sensibilidade, enquanto em outros momentos só há violência e medo.
O período é cruel e sanguinolento. E nesse segundo livro ainda mais do que no anterior. Não apenas pelas batalhas travadas pelos senhores e seus vassalos, mas também pela precária situação do povo de Porto Real, acuados, porém revoltados com a indiferença com que suas necessidades. Batalhas sangrentas com narrativas de tirar o fôlego que nos prendem por tantos detalhes, situações inesperadas e calculada estratégia
A estrutura permanece a mesma, apostando no suspense ao fim de cada capítulo, prendendo o leitor.
Intrigas, batalhas, luxúria, crueldade, traições, reviravoltas impressionantes, magia. Fantástico.
Ao escrever sobre o primeiro livro da série pensei que deveria compensar a pobreza do meu texto com o o do próximo livro já que eu não tinha conseguido passar a real magnitude daquilo que li.
Me esforcei bastante para não deixar escapar grandes spoilers. A Fúria dos Reis me deixou animada pra ler o próximo livro, A Tormenta de Espadas.

sábado, 10 de março de 2012

Ainda não te disse nada

Conheci o trabalho de Maurício Gomyde por acaso no skoob em uma promoção na qual ganhei O Mundo de Vidro, primeiro romance do autor. Gostei tanto que fiquei ansiosa pelo próximo livro que ele dizia estar escrevendo e que eu ganhei em outra promoção (arrá!). Acho que o Maurício me dá sorte.

Não é tão engraçado como o primeiro, mas é gostoso de ler mesmo assim. A protagonista, Marina é a típica garota sonhadora que sai do interior em busca dos seus objetivos, linda, solteira e talentosa. Ela é romântica ao extremo, do tipo que quer "ser escolhida", em vez de tomar alguma iniciativa. Espera que as coisas aconteçam naturalmente. Isso me incomodava nela, todo esse romantismo meloso, mas depois acabei vendo que ela não é nenhuma bobinha, pelo contrário, tem plena consciência de suas qualidades.

Achei o primeiro capítulo dispensável, pois me entregou o desfecho de bandeja, e não gosto de prever o que vai acontecer. E a partir de então tudo me pareceu muito óbvio. Fora os diálogos banais, me pareceu profundo e no fim das contas eu gostei do livro. E algo que eu gosto no Maurício é que ele cria trilhas sonoras para os livros e isso nos traz para a atmosfera do momento.

"...Largo a espera e sigo ao sul. Fica forte, sê amada. Quero que saibas que ainda não te disse nada... Pede-me a paz, dou-te o mundo..."
(Trecho da música Se eu fosse um dia o teu olhar de Pedro Abrunhosa, e que é citada pelo Maurício.) 


De certo modo me identifiquei com a Marina e simpatizei com os personagens. As amigas animadas, a família calorosa, seu correspondente, o sonho com a carreira de design de moda... Um livro que fala de paixão, do tipo que sai de uma mistura de Itália, Brasil, França e Portugal, cenários da história e berço dos personagens.
Releu e desanimou. Uma bola de papel no chão. Não tinha alma, não tinha paixão. (...) Lembrou-se da frieza de muitas pessoas ao responderem "eu também" a uma declaração apaixonada. (pág. 80)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Cilada

Quando vi sobre esse livro na internet me encantei pela arte delicada da capa em contrapartida com o título Cilada. O que me veio à mente foi alguma história sobre uma pessoa que caiu numa armação por ser ingênua. Quando li a sinopse, pensei que tinha que lê-lo. Me encantei até pelo mais bossal dos personagens e não conseguia acreditar que Dan era um criminoso. A todo o momento Harlan Coben nos dava elementos para que pudéssemos ligar os pontos e chegar às nossas conclusões, porém ao passar para o próximo capítulo toda a nossa teoria é destruída. Num jogo de mentiras - Ninguém Consegue Escapar Das Próprias Mentiras, lembra? - a jornalista Wendy Tynes, busca a verdade, pois não consegue aniquilar a culpa por poder ter causado a morte de um inocente.

Além das mortes misteriosas e personagens que parecem ter muito a esconder, há espaço para que percebamos uma sociedade repleta de machismo e uma justiça que não é cega. Nesse livro uma pessoa é "culpada até que se prove o contrário", mas também há muito sobre perdão e redenção.
A gente vem ao mundo e sai por aí, colidindo com os outros. E, nessas colisões, às vezes alguém se machuca, é assim que as coisas funcionam. (...) Ficar alimentando o ódio tem seu preço, sabe? A gente perde a noção do que realmente importa. (p. 228)
É cativante e eletrizante, quando comecei a ler grudei nele até o final. Fui enganada várias vezes e eu gosto disso. Já estou querendo ler os outros livros do Harlan Coben. Muito bom.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Violetas na Janela

O primeiro livro espírita que li. Em Violetas na Janela, psicografado por Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, Patrícia, a autora espiritual, narra de forma singela e cativante como foi o seu desencarne e de que forma ocorreu a adaptação a essa nova fase. No decorrer da leitura nos encantamos por Patrícia, seus amigos do plano espiritual e sua família. Em dado momento tudo o que era descrito me pareceu surreal demais, fantasioso, mas a própria autora trata desse sentimento em alguns momentos do livro.
Tudo o que narro poderá parecer a muitos ficção. Mas o que é a morte senão uma nova etapa da vida? (p.73)
Em muitos momentos me identifiquei com Patrícia e refleti bastante sobre os muitos assuntos que são discutidos no romance. Confesso que fiquei interessada em ler os outros livros dela, são quatro ao todo, e todos psicografados pela tia Vera.
Compreender sem ilusão o que realmente somos, e não o que pensamos ser, e, com coragem, realizar nossa transformação. Ser agora, no presente. O futuro é uma consequência vivida no presente e não um fruto de aspirações de uma mente ociosa, que deixa sempre essa transformação para depois. É nossa obrigação passar de necessitado a útil. (p.97)
Foram muitas as passagens que me comoveram de alguma forma e semearam em mim um desejo de transformação. A linguagem simples e cortês, toda a bondade, cordialidade, o desejo de ser útil, renunciar aos prazeres mundanos, a busca pelo conhecimento... tudo isso me encantou de uma forma que não sei descrever bem, me pareceu um tanto "bonito demais", mas quem sou pra achar alguma coisa? Sou simplesmente uma leiga que acaba de adentrar nesse universo espírita.

Posso descrever Violetas na Janela como uma leitura inspiradora, uma lição de amor em todos os sentidos.

sábado, 21 de janeiro de 2012

A Teia da Aranha

Esse na verdade foi o primeiro livro da Agatha que eu li. Não é tão recente, mas não faz assim tanto tempo. Ainda lembro da história e das críticas que li depois e das minhas impressões.

A história dA Teia da Aranha, originalmente, é de uma peça escrita pela Agatha e que foi adaptada por Charles Osbourne. Assim não é de se admirar que o romance fuja da escrita convencional da Rainha do Crime. 
Com personagens envolventes, como Clarissa, que prefere o mundo da fantasia à realidade, seu marido convencional - que é praticamente um figurante - e seus amigos, que fazem de tudo por ela, e claro, a enteada Pipa, que é amada por eles.
Por exemplo, eu poderia dizer a mim mesma, "Imagina se uma bela manhã eu descesse e encontrasse um cadáver na biblioteca, o que eu faria?". Ou "Imagina se um dia aparecesse uma mulher dizendo que ela e Henry haviam se casado em segredo em Constantinopla e que nosso casamento era bígamo, o que eu diria a ela?". Ou "Imagina se eu tivesse seguido meus impulsos e me tornado uma atriz famosa?" Ou "Imagina se eu precisasse escolher entre trair meu país ou ver Henry ser baleado bem na minha frente?".
Os devaneios da protagonista me fizeram simpatizar com ela. Ela gosta do fantástico, do excepcional e tem sempre o que deseja, tenta manipular a todos, e por ser tão cativante acaba conseguindo. A teia da aranha é essa intricada de possibilidades de desvendar esse crime envolvendo um homem detestável, uma ligação misteriosa à polícia, uma escrivaninha antiga e uma confissão inesperada. Típicas de uma história da Agatha.

Para alguns o desfecho pode não ser assim tão surpreendente - como, confesso, pra mim foi -, pois a trama é mais simples do que se costuma ver nas história agathachristinianas, sem toda aquela análise psicológica dos suspeitos, mas não deixa de ser um bom livro, e divertido, por sinal. Aqui a Rainha do Crime se mostra também adepta à comédia.
Gostei do modo como fui confundida e desconfundida.

O Natal de Poirot

Estou me tornando fã de Agatha. Não fosse pela minha falta de tempo, eu com certeza teria devorado esse livro bem rápido.
(...) Demonstrou também o desejo de " um assassinato dos bons, violento e cheio de sangue". Um assassinato que não houvesse dúvida de ser assassinato! Pois esta é a história que escrevi especialmente para você. 
Pois é assim, com esta dedicatória que iniciamos a leitura desse romance.
Trata-se de uma trama envolvendo os ingredientes necessários para um bom mistério: muitos suspeitos, um crime cometido dentro de um quarto trancado por dentro e pistas confusas. É o primeiro livro que leio com a participação de Hercule Poirot, e já simpatizei com o jeito observador dele. Poirot reune pistas e formula teorias em sua mente e até nos dá algumas dicas, mas não explicita o que está pensando, nem mesmo para seus companheiros de investigação, quero dizer, ele nos indica sua linha de raciocínio, mas ficamos se saber de quem ele está suspeitando, ou mesmo se suspeita de alguém em particular. Esse fato só faz aumentar ainda mais a nossa curiosidade por nos fazer pensar que o caso é insolúvel.
No primeiro momento Agatha nos apresenta aos personagens. Ficamos sabendo o ponto de vista de cada um deles, tentamos traçar suas personalidades e então todos são reunidos e colocados à frente de um assassinato terrível. O que piora ainda mais o caso é o fato de que os principais suspeitos, apesar de terem motivos, e alguns até a oportunidade, eram membros da família da vítima. Uns suspeitando dos outros e temendo por sua própria situação.
Não preciso dizer que o desfecho é surpreendente, e a narração dos fatos por Poirot é simplesmente alucinante.