quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A Redoma de Vidro

A primeira vez que ouvi falar em Sylvia Plath foi em um dos livros que mais gosto, Eu Sou o Mensageiro. Nesse livro a obra de Sylvia Plath, um poema em especial, tem um papel importante para o protagonista. A forma como Sylvia transforma sua tristeza em algo belo como aquele poema me deixou interessada em conhecer sua obra. Ela escreveu muitos poemas e apenas um romance: A Redoma de Vidro. Suicidou-se pouco depois da publicação do livro.

Não encontrei os créditos da imagem, mas não pude deixar
de publicá-la porque retratada exatamente o que
pensei quando li o poema de Sylvia em Eu Sou o Mensageiro
Sabendo o pouco que sei sobre Sylvia, a personagem principal parece ela própria em vários aspectos. Esther demonstra insegurança, o desânimo e a solidão (apesar de estar cercada de pessoas) típicos de alguém com problemas de depressão. Lendo A Redoma de Vidro sinto como se estivesse invandindo os sentimentos mais profundos dela. É bastante perturbador  saber que esse romance foi escrito dois anos antes da morte da autora. 

O romance é sobre a história de Esther Greenwood, uma garota de 19 anos que se esforçou bastante em sua vida acadêmica e que agora era aprendiz de uma editora de uma revista intelectual de moda. Nada foi fácil. Na verdade aquilo era o que ela queria. E mesmo assim ela se sente insastisfeita por não ter os mesmos anseios que suas colegas e por não ter coragem de fazer o que deseja, vivendo à sombra de sua amiga Doreen, a qual ela admira muito pela beleza e personalidade.

"Eu me vi sentada na bifurcação dos galhos desta figueira, morrendo de fome, só porque eu não conseguia me decidir de qual figo escolher. Eu queria cada um deles, mas escolher um significaria perder todo o resto, e, enquanto eu estava sentada ali, incapaz de me decidir, os figos começaram a se enrugar e ficarem pretos, e, um por um, eles caíram ao chão, aos meus pés."

E busca desculpas para ser infeliz. Como o modo que se afastou de Buddy por um motivo sem sentido. Como ela sempre faz. Como eu sempre faço. Me assusta ser tão parecida com Esther. Assusta mesmo. O livro parece ter sido feito pra mim. Conforta perceber nos comentários de outros leitores que muita gente se identifica. Todo mundo tem seu inferno particular e Sylvia foi capaz de expor o dela.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Pistoleiro

Completei 19 anos mês passado. Me dei de presente a série A Torre Negra, de Stephen King. Edição de bolso, porque sou pobre. Me disseram que foi muita coragem comprar assim uma série inteira. E se eu não gostar? Agora não tem mais jeito. Comprei porque sempre via boas críticas e já tinha lido outros livros do Stephen e gosto do gênero ficção científica, fantasia e terror.

Logo de cara já fui amando. O título da introdução é Sobre Ter 19 Anos (e algumas outras coisas). Tá vendo? É o destino!

Stephen começou a escrever A Torre Negra com 19 anos, em 1967 e só terminou em 2003 por causa de um gigantesco hiatus que deixou os fãs roendo as unhas. Assim, existem os leitores fiéis, que na época do lançamento (2003) estavam se preparando para o volume 5 e os novos leitores, como eu, começando no volume 1.

O pistoleiro. Fiquei com medo de não gostar da série, pois é. No início eu achava o pistoleiro legal e tal, mas a história meio amarrada, muito louca e desconexa. Apenas um estranho procurando um bruxo esquisito que cospe na cara dos outros. Eu não me envolvi, não simpatizei. Nada. Fiquei só lendo. Vendo no que ia dar. No decorrer da leitura, pra lá do meio do livro, fui entendendo melhor aqueles saltos temporais meio confusos, o ambiente mágico e hostil, fui percebendo que havia um sentido na busca de Roland pelo homem de preto e finalmente me envolvi com a história, passei a torcer por ele e a desvendar alguns dos mistérios que envolvem a jornada. Existem algumas cenas aterrorizantes, mas nada que me fizesse ficar sobressaltada.

Achei bom. Mas não posso negar que esperava mais. Bem, vou dar um desconto ao jovem Stephen.

Esse livro poderia ter vários títulos, mas O Pistoleiro é com certeza o mais adequado. Porque começamos a conhecer esse, que será o personagem central durante os próximos seis volumes.

Apenas o fim do começo.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Não Conte a Ninguém

A primeira vez que me indicaram esse livro eu não entusiasmei pra ler. Mas logo isso mudou.

Harlan mantêm o mesmo estilo de suspense em seus livros. Já li três sendo Não Conte a Ninguém o segundo em ordem de publicação. Ele supera o antecessor, Confie em mim, mas não consigo decidir qual eu prefiro entre ele e Cilada.

Comecei a ler logo após terminar Confie em mim, e não tem como não fazer comparações. Logo no primeiro capítulo eu percebi que seria uma história mais profunda, porque, teríamos um casal apaixonado no centro da história e a história não obedece à receita de Coben - alternando os personagens como foco da narrativa. Beck não divide seu protagonismo, ele é o único cuja história é narrada em primeira pessoa, mas isso não deixa de tornar o livro envolvente. Apesar de se tratar de um caso de amor, não é meloso, aliás, nem tem como ser no meio de tanto mistério, e mesmo assim o próprio Beck assume que ele é brega.

Houveram alguns personagens que me cativaram. Beck 4ever in my heart, claro. Também tem Shauna. Adorei o estilo espontâneo dela e amiga de Hester Crimstein! haha. Adorei ver Hester de novo. Quer dizer, não fui muito com a cara dela em Confie em mim, mas agora ela me conquistou.

Fico admirada com a capacidade que Harlan tem de desconstruir nossas teorias e tornar as nossas indagações sem sentido. Já estou pensando em qual vai ser o próximo livro harlaniano da lista.

Ah, uma amiga minha achou um filme francês baseado no livro :DD Ainda não assisti, mas está na lista.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Confie em mim

Até onde você iria por amor à sua família?

Gosto do modo como Harlan Coben monta o romance apresentando histórias de personagens diferentes que estão ligados de alguma forma, mas não diretamente, e então o leitor fica à espera do momento em que essas histórias, aparentemente sem sentido, vão de fato se intercruzar. E essa ligação vai ocorrendo aos poucos, fazendo com que o leitor comece a imaginar de que forma as peças de cada história se encaixam. Como conciliar uma esposa infiel, um suicídio de um adolescente, a morte de uma mulher e a invasão de privacidade de pais com o seu filho? É esse puzzle que nos faz ficar ligados no livro, buscando formas de entender as pistas que vão surgindo.

Algo que eu já havia observado em outro livro de Harlan, e que nesse me pareceu ainda mais evidente, é a preocupação dele em mostrar seu posicionamento feminista. Há vários personagens de destaque, mas os principais, são mulheres. Tanto mulheres bem sucedidas profissionalmente, quanto uma donas de casa, mas todas fortes e determinadas.

Os fatos se desenrolam rapidamente, alternando entre os diferentes personagens, aumentando o suspense e a avidez do leitor em desvendar os mistérios. Essa estratégia é recorrente nos romances de Harlan. E dá certo.


Apesar de ter gostado muito desse livro o elemento integrador das histórias não me convenceu. Explica qual o catalisador dos eventos, mas ainda assim, qual a chance disso realmente acontecer ao mesmo tempo? Fiquei com a sensação de ter lido sobre dois eventos distintos, que não se integravam muito bem.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Cobra Norato

Faz tempo que não atualizo o blog. Faz tempo também que não leio um livro que não fosse por causa da universidade. O último foi Eu Sou o Mensageiro. E eu já tinha lido antes. Adoro esse livro, por sinal.

Mas não quero deixar esse blog de lado, então vou escrever sobre um livro que precisei ler para um seminário de Arte, Cultura e Atualidade. Não tenho disciplinas, mas módulos. Achei meio confuso no início, mas agora acho que já me acostumei. Mas esse post não é pra falar sobre os meus módulos. Chega de enrolar.

Estávamos estudando o modernismo brasileiro e minha equipe ficou responsável por apresentar a vida e a obra de Menotti del Picchia e Raul Bopp. O professor emprestou o livro Cobra Norato de Raul Bopp. Eu li e achei bem legal. Um tanto estranho. Mas legal.

Bopp viajou muito pelo mundo todo, mas foi na Amazônia que ele se descobriu e criou a obra literária mais importante do Movimento Antropofágico. Eu especifiquei "literária" porque o quadro Abaporu de Tarsila do Amaral, apesar de mais famoso, divide a mesma importância. Trata-se de um poema épico que tem como protagonista o Cobra Norato, que é uma figura do folclore amazônico. A narrativa é feita num estilo quase telegráfico e gira em torno da busca de Norato pela filha da Rainha Luzia. Para encontrar sua amada ele é desafiado a completar algumas missões.

Mas antes tem que passar por sete portas, 
ver sete mulheres brancas de ventres despovoados, 
guardadas por um jacaré. 

- Eu só procuro a filha da Rainha Luzia. 

Tem que entregar a sombra para o bicho do fundo. 
Tem que fazer mirongas na lua nova. 
Tem que beber três gotas de sangue. 


- Ah, só se for da filha da Rainha Luzia! 

Na floresta descrita por Bopp as árvores falam e os seres mitológicos têm vida. É tudo muito fantástico e envolvente. As descrições dos cenários são muito marcantes e ele valoriza bastante a linguagem típica da região amazônica. Tanto é que utiliza termos que até hoje não entendo muito bem o significado, mas nada que prejudique o entendimento da história.

Esta é a floresta de hálito podre 
parindo cobras. 

Rios magros obrigados a trabalhar 
descascam barrancos gosmentos. 
Raízes desdentadas mastigam lodo. 

A água chega cansada. 
Resvala devagarinho na vasa mole. 

A lama se amontoa.

Me encantei por Cobra Norato. E não entendi como o autor de uma obra tão importante não é tão famoso quanto outros nomes ligados ao modernismo brasileiro. Acredito que isso tenha ocorrido por que Bopp se dedicou mais à carreira diplomática do que à literária.

Acabei encontrando uma apresentação do Giramundo Teatro de Bonecos que ao meu ver retrata com perfeição o poema. Todo o texto da peça do Giramundo, é, inclusive, a reprodução quase que integral do poema de Raul Bopp. Ficou curioso? Assista :)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Amar se aprende amando

Poesia de convívio e de humor

É o primeiro livro de poesias que leio. Ele já estava aqui em casa faz um tempão e nunca havia me despertado a curiosidade. Eu tinha um certo preconceito, admito, mas mudei de ideia. Acho que fiquei mais sensível, sei lá. Eu achava bobagem ler um livro com o título de "Amar se aprende amando", mas ano passado li tantos poemas avulsos e vi na internet uma comoção tão grande pelo aniversário de 110 anos de Carlos Drummond de Andrade que despertei o interesse por este livro.

Não é tão meloso quanto achei que fosse. É bonito. A poesia é encantadora.

Estou aqui com uma edição de 1996, com 178 páginas e que no final ainda tem uma linha do tempo contando a vida e obra do autor. O livro é dividido em três partes:
A primeira, Carta de guia (?) de amantes, soa como várias declarações de amor, ou como a descoberta do amor de várias maneiras: o amor antigo que nada quer em troca, a amizade que se transforma em algo mais, o amor não correspondido e por aí vai. Terminando com A lamentável história dos namorados, que é de um humor bastante sutil e diverge um pouco dos outros poemas mesclando assuntos políticos com o tema principal dessa primeira parte.

O MUNDO É GRANDE

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

A segunda parte se chama O convívio ideal e trata sobre amizade. Aqui Drummond dedica poemas a seus amigos e a leitura fica ainda mais rica quando procura-se saber quem são essas pessoas. Artistas.
Gostei do O que Alécio vê e achei ainda mais legal quando pesquisei sobre Alécio Andrade e vi suas fotografias. Incrível. Tem ainda homenagens a Antônio Candido, Alphonsus Guimaraens, Helena Antipoff, e alguns outros que descobri junto com Drummond. Entre as favoritas dessa parte também está Sequestro de Guilhermino César, que como outros poemas traz um ar nostálgico e também Eu quisera ver o mundo. Adoro a forma com ele soube descrever a arte dessas pessoas notáveis. Me sinto invadindo os sentimentos deste poeta, provando um pouco da sua dor, da saudade de seus amigos.

Alegrias e penas por aí é a terceira parte e trata de vários assuntos. Desde a beleza da chegada da primavera em Rio em Flor de Janeiro, até os acontecimento históricos de maio de 1968 (Relatório de Maio). Temos a visão de Drummond a cerca de vários eventos ocorridos e com a data em que foi escrito o poema, para que possamos nos situar. Nessa parte também se evidencia ainda mais o bom humor do poeta com uma pitada de insatisfação com a situação da sociedade.

Não imaginava que fosse gostar tanto desse livro.