sábado, 24 de março de 2012

Brida

Viver é mais importante do que entender

Paulo Coelho é um autor muito criticado. Até agora Brida foi o segundo romance do autor que eu li, e não achei tão ruim quanto dizem. Na verdade, pesquisando um pouco mais, percebi que as opiniões a respeito dele divergem bastante: há muitas pessoas que detestam e outras tantas que acham o máximo. Não concordo nem com um grupo nem com o outro.
Gostei de Brida. Encarei a leitura como ficção. Apesar do Paulo insistir ser tudo verídico, não acredito em toda essa "magia".
Não me identifico como fã de auto-ajuda, mas esse livro me trouxe para várias reflexões. Na realidade, era uma lição à cada virar de página. O próprio livro - que aliás, me foi muito bem recomendado, daí toda a minha vontade de lê-lo - estava cheio de sublinhados e frases escritas à lápis. E o engraçado é que as reflexões da antiga dona contrastavam com as minhas.

Brida nos leva para o aprendizado das Tradições da Lua e do Sol, nas quais ela se descobre e adentra no mundo da magia, como a bruxa que é. Apesar de não levar a história à sério, achei interessante a visão que ele trás da cultura dessas mulheres (há homens na tradição também, mas nessa história elas dominam) que já sofreram tanto no passado com a Inquisição, e que mantém sua cultura até hoje, pelo que nos é narrado.

Não vou mentir, fiquei pensando na minha Outra Parte e tentando ouvir o "som do mundo", mas o lóbulo da minha orelha não é preso, então não devo ser bruxa.

"-Todos nós estamos no mundo para correr os riscos da Noite Escura, Senhor. Tenho medo da morte, mas não quero perder a vida. Tenho medo do amor, porque ele envolve coisas que estão além de nossa compreensão; sua luz é imensa, mas sua sombra me assusta." (pag. 230)

domingo, 11 de março de 2012

A Fúria dos Reis

Nesse livro, que é o segundo da série As Crônicas de Gelo e Fogo, George R. R. Martin nos brinda com uma narrativa detalhada, mas que não peca por excessos. Acompanhar a evolução dos personagens do primeiro livro, entre outras coisas, tornou a leitura deste a minha preferida entre os dois.
Com a morte do Rei Robert, a trama desta vez se constrói em torno dos cinco "candidatos" a reis de Westeros. Há ainda a presença de um enigmático cometa vermelho ao qual cada personagem interpreta à sua forma, porém nós leitores temos uma ideia melhor do que ele realmente representa.
Personagens que eu não imaginava que se tornariam tão importantes desempenham um grande papel nessa nova fase da história, temos mais vilões para odiar. Apesar de toda a submissão e dependência feminina ser bastante aparente, ganhamos novos personagens femininos que buscam exatamente o contrário, além das que acompanhamos desde o livro anterior. É estranho, mas passei a simpatizar com personagens odiáveis, e detestar outros aos quais nem dava tanta importância.
Vemos trechos de extrema sensibilidade, enquanto em outros momentos só há violência e medo.
O período é cruel e sanguinolento. E nesse segundo livro ainda mais do que no anterior. Não apenas pelas batalhas travadas pelos senhores e seus vassalos, mas também pela precária situação do povo de Porto Real, acuados, porém revoltados com a indiferença com que suas necessidades. Batalhas sangrentas com narrativas de tirar o fôlego que nos prendem por tantos detalhes, situações inesperadas e calculada estratégia
A estrutura permanece a mesma, apostando no suspense ao fim de cada capítulo, prendendo o leitor.
Intrigas, batalhas, luxúria, crueldade, traições, reviravoltas impressionantes, magia. Fantástico.
Ao escrever sobre o primeiro livro da série pensei que deveria compensar a pobreza do meu texto com o o do próximo livro já que eu não tinha conseguido passar a real magnitude daquilo que li.
Me esforcei bastante para não deixar escapar grandes spoilers. A Fúria dos Reis me deixou animada pra ler o próximo livro, A Tormenta de Espadas.

sábado, 10 de março de 2012

Ainda não te disse nada

Conheci o trabalho de Maurício Gomyde por acaso no skoob em uma promoção na qual ganhei O Mundo de Vidro, primeiro romance do autor. Gostei tanto que fiquei ansiosa pelo próximo livro que ele dizia estar escrevendo e que eu ganhei em outra promoção (arrá!). Acho que o Maurício me dá sorte.

Não é tão engraçado como o primeiro, mas é gostoso de ler mesmo assim. A protagonista, Marina é a típica garota sonhadora que sai do interior em busca dos seus objetivos, linda, solteira e talentosa. Ela é romântica ao extremo, do tipo que quer "ser escolhida", em vez de tomar alguma iniciativa. Espera que as coisas aconteçam naturalmente. Isso me incomodava nela, todo esse romantismo meloso, mas depois acabei vendo que ela não é nenhuma bobinha, pelo contrário, tem plena consciência de suas qualidades.

Achei o primeiro capítulo dispensável, pois me entregou o desfecho de bandeja, e não gosto de prever o que vai acontecer. E a partir de então tudo me pareceu muito óbvio. Fora os diálogos banais, me pareceu profundo e no fim das contas eu gostei do livro. E algo que eu gosto no Maurício é que ele cria trilhas sonoras para os livros e isso nos traz para a atmosfera do momento.

"...Largo a espera e sigo ao sul. Fica forte, sê amada. Quero que saibas que ainda não te disse nada... Pede-me a paz, dou-te o mundo..."
(Trecho da música Se eu fosse um dia o teu olhar de Pedro Abrunhosa, e que é citada pelo Maurício.) 


De certo modo me identifiquei com a Marina e simpatizei com os personagens. As amigas animadas, a família calorosa, seu correspondente, o sonho com a carreira de design de moda... Um livro que fala de paixão, do tipo que sai de uma mistura de Itália, Brasil, França e Portugal, cenários da história e berço dos personagens.
Releu e desanimou. Uma bola de papel no chão. Não tinha alma, não tinha paixão. (...) Lembrou-se da frieza de muitas pessoas ao responderem "eu também" a uma declaração apaixonada. (pág. 80)