domingo, 27 de julho de 2014

O Poder dos Quietos

Um amigo secreto muito querido me deu esse livro de presente no último natal. Foi o presente perfeito por alguns motivos:
 
1. Eu já tinha visto o livro em algum lugar e ele chamou a minha atenção (acho que foi nas Lojas Americanas).
2. Ele chamou minha atenção porque eu me identifiquei com o título.
3. Não cheguei a pensar em comprar porque não é do estilo a que estou acostumada a ler.
4. É difícil sair da zona de conforto.
5. Gosto de ser desafiada a sair da zona de conforto. É bom para conhecer coisas novas. Adoro conhecer coisas novas.
 
Esse livro me surpreendeu muito positivamente porque eu esperava um autoajuda e me deparei com um estudo muito bem elaborado sobre a introversão, trazendo pesquisas científicas, dados biográficos, entrevistas com diversas pessoas e relatos pessoais. Susan Cain fez uma pesquisa intensa sobre a introversão e a extroversão e nos mostra neste livro de onde vem o potencial dos tímidos e porque aprecia-lo é tão difícil na nossa sociedade. Para isso ela conta a história do ideal de extroversão, como a sociedade passou do culto ao caráter par o culto à personalidade, e aqueles que não são tão sociáveis e expressivos ficam à margem.
 
A todo momento ela usa o mundo dos negócios (especialmente nos Estados Unidos) para exemplificar, mas o culto à personalidade é percebido em todos os lugares (até nas minhas aulas na universidade). Susan busca o que pessoas criativas e de sucesso têm em comum, e encontra a introversão entre suas características.
 
Encontrei a mim mesma em todo o livro. Na quietude, na dificuldade de socialização, no apreço pela solidão, na veia artística... Mas também percebi que eu não preciso mudar quem sou, como tenho tentado fazer, para ser bem sucedida. Passei a compreender melhor a mim mesma e meus amigos introvertidos.
 
As pressões sociais são muitas, mas ler este livro me fez entender melhor meus amigos introvertidos e aceitar melhor a mim mesma podendo mudar alguns traços, como Susan driblou o seu medo de palco e eu estou lutando contra o meu. Sabe, algumas pessoas que me veem apresentando alguma coisa podem até me achar extrovertida (é por isso que gostei do termo que Susan me apresentou: "ambiversão"), mas eu já entendi o que acontece. Preciso estar muito segura e bem preparada para encarar uma apresentação importante. Se não acabo metendo os pés pelas mãos. É como se eu tivesse criado uma personagem extrovertida para me tirar dessas situações. Susan também fala sobre isso em seu livro. Isso foi fruto da pressão social, mas não posso dizer que foi ruim. Falei de apresentações importantes, mas vale pra qualquer situações em que seja preciso ser espontânea (a menos que eu esteja um pouquinho alta rs).
 
Existe o ideal para tudo. Até para personalidade. Nossa, como eu detesto padrões.

terça-feira, 15 de julho de 2014

A Dança com Dragões

Olha, ler esse livro foi um problema, viu? Peguei emprestado com um amigo e fui lendo até que percebi que alguns capítulos estavam repetidos substituindo as páginas que deveriam estar lá. Vacilo do meu amigo, já que essa edição realmente sofreu um recall por causa de defeitos como esse. Li esses três capítulos na clandestinidade e conferi o livro tooodo pra ver se esse era o único defeito.

Preciso reafirmar que sou fã de George R. R. Martin? Só ele pra me fazer arrumar tempo pra ler um livro de 800 páginas no meio de um semestre tão atarefado como foi esse meu último. Mais um motivo pra eu ter demorado tanto pra terminar de ler, além do quê, estar com um livro emprestado é complicado... Fico preocupada em levar pra todos os lugares que vou e danificar o livro durante a viagem; sem contar que é preciso muita força nos músculos para segurar esse livro numa fila de banco ou na bagagem de mão (e eu viajei bastante! Eu li a maior parte de As Terras Devastadas dentro de ônibus e em casas de parentes, estava lendo os dois livros simultaneamente).

Cada fim de capítulo deixa uma pontinha solta que me faz ficar impaciente por chegar ao próximo capítulo no qual aquele personagem é central novamente.

É simplesmente incrível a forma como George conduz a narração alternando entre os personagens nos proporcionando uma visão tão ampla que fica difícil até escolher pra quem torcer. Até mesmo porque Martin não se apega a ninguém. Cada virar de página é totalmente imprevisível. Quando algum personagem chega a um momento de calmaria pode ter certeza que isso não vai durar por muito tempo e alguma reviravolta está prestes a acontecer.

Se você está lendo os volumes anteriores se apegue bem às histórias e se lembre dos personagens que desaparecem de um núcleo. Eles podem reaparecer em outro lugar em uma situação muitíssimo diferente, interferindo no curso da vida de pessoas que você não imaginaria.

Já falei isso na postagem sobre O Festim dos Corvos: vendo que o livro ficaria extenso demais Martin não quis cortar a história no meio, preferindo deixar alguns personagens de fora do quarto livro e os colocando no quinto, Dança dos Dragões. Apesar de se tratarem do mesmo período temporal, o primeiro se passa nos arredores de Porto Real, enquanto este foca nos personagens nos arredores da Muralha e nas Cidades Livres. Intrigas, injustiças, reviravoltas, feitiçaria, dragões, traições, está tudo lá. No mundo incrível que Martin criou, é claro.

Assim como vi no Festim, esse é um momento de recolocar as peças no tabuleiro. É hora de recolher os destroços e pesar as vantagens para escolher um rei ou rainha para apoiar.

A melhor parte dos livro da Guerra dos Tronos são as surpresas. Como não há um narrador onisciente nós ficamos à mercê do que os próprios personagens "centrais" acreditam. Quando eles se surpreendem, nós nos surpreendemos junto. A não ser em alguns casos em que é possível ficar atento a algumas dicas sutis que Martin deixa. Fico animada quando percebo alguma coisa que não está totalmente explícita, rs. Era engraçado quando chegava a esses momentos reveladores e surpreendentes eu literalmente pulava da cadeira. Ajeitava a postura e lia de novo pra ter certeza de que não tinha entendido errado. Martin é incrível.

Acabo de terminar a leitura. Estou chocada, como sempre fico ao terminar um dos livros da Guerra dos Tronos. E ansiosa pelo próximo  volume, como sempre fico ao terminar um dos livros da Guerra dos Tronos.