sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Amar se aprende amando

Poesia de convívio e de humor

É o primeiro livro de poesias que leio. Ele já estava aqui em casa faz um tempão e nunca havia me despertado a curiosidade. Eu tinha um certo preconceito, admito, mas mudei de ideia. Acho que fiquei mais sensível, sei lá. Eu achava bobagem ler um livro com o título de "Amar se aprende amando", mas ano passado li tantos poemas avulsos e vi na internet uma comoção tão grande pelo aniversário de 110 anos de Carlos Drummond de Andrade que despertei o interesse por este livro.

Não é tão meloso quanto achei que fosse. É bonito. A poesia é encantadora.

Estou aqui com uma edição de 1996, com 178 páginas e que no final ainda tem uma linha do tempo contando a vida e obra do autor. O livro é dividido em três partes:
A primeira, Carta de guia (?) de amantes, soa como várias declarações de amor, ou como a descoberta do amor de várias maneiras: o amor antigo que nada quer em troca, a amizade que se transforma em algo mais, o amor não correspondido e por aí vai. Terminando com A lamentável história dos namorados, que é de um humor bastante sutil e diverge um pouco dos outros poemas mesclando assuntos políticos com o tema principal dessa primeira parte.

O MUNDO É GRANDE

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

A segunda parte se chama O convívio ideal e trata sobre amizade. Aqui Drummond dedica poemas a seus amigos e a leitura fica ainda mais rica quando procura-se saber quem são essas pessoas. Artistas.
Gostei do O que Alécio vê e achei ainda mais legal quando pesquisei sobre Alécio Andrade e vi suas fotografias. Incrível. Tem ainda homenagens a Antônio Candido, Alphonsus Guimaraens, Helena Antipoff, e alguns outros que descobri junto com Drummond. Entre as favoritas dessa parte também está Sequestro de Guilhermino César, que como outros poemas traz um ar nostálgico e também Eu quisera ver o mundo. Adoro a forma com ele soube descrever a arte dessas pessoas notáveis. Me sinto invadindo os sentimentos deste poeta, provando um pouco da sua dor, da saudade de seus amigos.

Alegrias e penas por aí é a terceira parte e trata de vários assuntos. Desde a beleza da chegada da primavera em Rio em Flor de Janeiro, até os acontecimento históricos de maio de 1968 (Relatório de Maio). Temos a visão de Drummond a cerca de vários eventos ocorridos e com a data em que foi escrito o poema, para que possamos nos situar. Nessa parte também se evidencia ainda mais o bom humor do poeta com uma pitada de insatisfação com a situação da sociedade.

Não imaginava que fosse gostar tanto desse livro.