sábado, 28 de julho de 2012

O Apanhador no Campo de Centeio


Eu estava assistindo Criminal Minds,e Reid se referiu a esse livro como - se não me engano - o favorito dos serial killers. Eu pensei já ter visto esse nome antes... E voi la! Na minha estante "vou ler" do Skoob lá estava: O Apanhador no Campo de Centeio - J. D. Salllinger.
Criei enormes expectativas a respeito do livro e, lamento dizer, me decepcionei.
No início pensei que vocabulário paupérrimo de Holden, personagem principal e narrador do livro, tornaria a leitura mais divertida. Não ligo para as gírias do tempo do ronca, mas ele repetia demais expressões como "no duro" ou "coisa que o valha". Eu até entendo, os adolescentes falam assim mesmo, repetem os mesmos bordões o tempo todo, e Holden chega até a se explicar: "Eu também vivo dizendo 'Puxa!', em parte porque tenho um vocabulário horroroso, e em parte porque às vezes me comporto como se fosse um garoto."

Holden é de certa forma contraditório. Ele chama todo mundo (com exceção de seus irmãos e de umas freiras que ele acaba conversando e Jane) de cretino, abomina rapazes que tentam tirar vantagem das garotas e pessoas que se sentem o máximo. Ele odeia tudo e todos. Em determinado momento quando desafiam ele a dizer alguma coisa da qual ele goste, Holden não consegue pensar em nada além do seu irmão que morreu e da irmã mais nova, Phoebe. Mas ao mesmo tempo em que é tão revoltado ele consegue ser singelo, cativante.

A história começa quando nosso protagonista é expulso (de novo!) do colégio interno e resolve fugir. Mas ele não quer ir direto pra casa antes das férias (que ainda vão durar quatro dias) e ter que se explicar pros seus pais. Portanto ele vai pra rua matar seu tempo. É apenas isso: um garoto de 16 anos matando seu tempo. Durante esse período ele se embaraça com prostitutas, reencontra velhos companheiros, vai para diversos bares, conhece uma porção de gente entre coroas saidinhas e freiras legais. Ele liga e sai com uma menina da qual não gosta da muito (Sally), enquanto durante todo o tempo de sua "aventura" está pensando em Jane, mas nunca consegue coragem de ligar pra ela.
Juro por Deus que, se eu fosse um pianista, ou um autor, ou coisa que o valha, e todos aqueles bobalhões me achassem fabuloso, ia ter raiva de viver. Não ia querer nem que me aplaudissem. As pessoas sempre batem palmas pelas coisas erradas. Se eu fosse pianista, ia tocar dentro de um armário.
Holden às vezes me lembra uma pessoa que conheço. Eu gostei dele, mas não do livro, entende?
Achei chato, desconexo, senti falta de um clímax, é, acho que foi isso. Demorei bastante tempo pra ler, e cheguei a pensar em largar, mas sou teimosa ou certinha demais pra isso. E fiz bem, se não tivesse continuado nunca teria entendido o título e passado a gostar um pouquinho mais do livro.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Feios


Feios, de Scott Westerfeld, é um romance futurista que tem como protagonista a personagem Tally Youngblood. Nesse futuro imaginário todo adolescente ao completar 16 anos passa por uma intervenção cirúrgica para se tornar "perfeito", antes disso todos eles são "feios" e moram em cidades separadas. A justificativa dada às pessoas desde pequenos, na escola, é que se todos forem iguais, não haverá disputas, guerras e injustiças. Parece dar certo, pois todos os perfeitos que Tally observa quando vai às escondidas para Nova Perfeição vivem felizes, festejando o tempo todo.

O romance é dividido em três partes - Tornando-se perfeita, A  Fumaça e No fogo. A primeira não me atraiu muito (cheguei a pensar em abandonar a leitura), porém em determinado momento houve uma reviravolta e  a história (finalmente!) se tornou mais dinâmica. Os pontos altos são os finais e inícios das três partes. Depois o ritmo cai e tudo fica meio monótono.

O que de início parecia uma trama superficial de uma garota que se acha feia e quer ser linda, encontrar com seu melhor amigo e permanecer com sua nova amiga se transforma em algo muito mais elaborado, com direito a agentes secretos e grupos de resistência. Eu gostei da forma como os Enferrujados (nós) eram comparados aos habitantes daquela época. É estranho imaginar o nosso modo de vida como algo ultrapassado.

Preciso falar da protagonista. Em determinado momentos eu detestei Tally. Ela é divertida, esperta, apronta bastante, mas certas atitudes dela foram egoístas demais e quando e se arrependeu, já era tarde.

O final não chega a ser alucinante, mas prende o suficiente para o leitor desejar continuar lendo a série.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A Cura de Schopenhauer



Nos Agradecimentos Irvin D. Yalom chama sua obra de "estranha mistura de ficção, psicobiografia e pedagogia da psicoterapia". Terminei de ler me sentindo realmente uma aluna estudando sobre psicotrapia, e digo mais: achei interessantíssimo.

- Eu diria que Schopenhauer curou você, mas agora você precisa se curar dele. - disse Tony (p. 573)
Não sei bem por qual motivo me interessei por esse livro. Não conheço outras obras do autor e nunca tinha ouvido falar desse tal de Schopenhauer, aliás, antes de começar a ler, perdoe a ignorância, eu pensava que Artur Schopenhauer era um mero personagem fictício. Além disso as 614 páginas me fizeram desanimar. Tanto é que só comecei a lê-lo agora, depois de 7 meses de tê-lo adquirido.
Demorei pra começar a ler, mas digo que foi numa ótima fase da minha vida. Comecei a ler logo após uma conversa que tive com um amigo e que me fez pensar sobre mim mesma, sobre a forma que eu me expressava e sentia, e a partir de então passei a valorizar três qualidades: objetividade, sinceridade e clareza.
Gosto de livros que me proporcionam essa reflexão.

No primeiro momento simpatizei com Julius e fiquei curiosa sobre a forma com a qual ele iria lidar com seu problema. Tudo só ficou ainda mais interessante com a introdução de Philip. Gosto de personagens problemáticos e imprevisíveis, e ele é um desses. Em contrapartida, achava os capítulos sobre Artur um saco! - sempre me irritei com livros que intercalavam os capítulos, criando uma espécie de suspense, mas sempre dava certo comigo e eu prosseguia lendo - Mas com a evolução da leitura vi como as duas (ou seriam as três?) histórias estavam interligadas e me interessei mais pela vida infeliz desse filósofo brilhante e pessimista.

O mundo assume um aspecto sorridente quando temos motivo para nos alegrar e um ar sombrio quando pesa sobre nós a tristeza. (p. 409)

Meus capítulos preferidos foram os das sessões da terapia em grupo. Os personagens evoluíam e sempre faziam observações interessantes. Consegui me identificar em quase todos eles e em determinados momentos parecia até que o texto era direcionado a mim.

Em certos aspectos me identifiquei com Shopenhauer. O achei fascinante. Gênio e louco.

Que desapontamento encontrar um pensador tão importante, mas tão agressivo; com tanta visão e, ao mesmo tempo, tão cego. (p. 366)

Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossa própria loucura, fracasso e vício. Pois eles são os fracassos da humanidade à qual também pertencemos e assim temos os mesmos fracassos em nós. Não devemos nos indignar com os outros por esses vícios apenas por não aparecerem em nós naquele momento. (p. 561)

Fico sem palavras para descrever a grandiosidade desse filósofo. 


terça-feira, 10 de julho de 2012

Papeis Avulsos


Antes de começar a ler essa compilação de contos movida pela obrigatoriedade do vestibular não imaginava que fosse gostar tanto, principalmente por conta do preconceito que tenho com livros clássicos (estou melhorando isso). Publicado em 1882, e estamos falando de ninguém menos que Machado de Assis, ele que, como meu professor de literatura costuma falar, é um autor tão completo e complexo que em si próprio é uma escola literária inteira. Machadianismo.
Eu ia ler só O Alienista e Teoria do Medalhão, que são os mais cobrados nas provas, mas foi tão bem recomendado que resolvi ler Papeis Avulsos inteiro. Logo no prefácio o autor nos explica o título. “Papeis Avulsos” nos traz uma ideia de desorganização, que os contos nada tem a ver uns com os outros, mas não. Até mesmo por se tratar de Machado, e ele ter uma escrita muito particular os contos geralmente traziam uma temática parecida.
Em todos, sem exceção, vemos a questão da ascensão social. Os personagens fazem de tudo para conseguir status, e eu diria que o caso em que isso fica mais explícito é na Teoria do Medalhão, no qual o pai aconselha o filho a ser aquilo que a sociedade deseja que ele seja, sem dar atenção às suas próprias vontades, para que ele seja um homem respeitável. Ele deveria deixar de lado sua própria identidade, deixar de viver sua vida para que os outros vivessem por ele.
O papel da sociedade é sempre questionado. E essa chega a ser uma temática atual: nos preocupamos demais com o que os outros vão pensar de nós e acabamos nos perdendo e deixando de ser quem somos.
Me envolvi com o delírio da Chinela Turca, o Alienista, mais louco que qualquer outro dos seus pacientes e o inacreditável Segredo do Bonzo - dentre outros contos, como D. Benedita, La Serenissíma República, Verba Testamentária....

—Suponho o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia e só insânia. (trecho de O Alienista)

É uma obra insana. No bom sentido.