sábado, 21 de janeiro de 2012

A Teia da Aranha

Esse na verdade foi o primeiro livro da Agatha que eu li. Não é tão recente, mas não faz assim tanto tempo. Ainda lembro da história e das críticas que li depois e das minhas impressões.

A história dA Teia da Aranha, originalmente, é de uma peça escrita pela Agatha e que foi adaptada por Charles Osbourne. Assim não é de se admirar que o romance fuja da escrita convencional da Rainha do Crime. 
Com personagens envolventes, como Clarissa, que prefere o mundo da fantasia à realidade, seu marido convencional - que é praticamente um figurante - e seus amigos, que fazem de tudo por ela, e claro, a enteada Pipa, que é amada por eles.
Por exemplo, eu poderia dizer a mim mesma, "Imagina se uma bela manhã eu descesse e encontrasse um cadáver na biblioteca, o que eu faria?". Ou "Imagina se um dia aparecesse uma mulher dizendo que ela e Henry haviam se casado em segredo em Constantinopla e que nosso casamento era bígamo, o que eu diria a ela?". Ou "Imagina se eu tivesse seguido meus impulsos e me tornado uma atriz famosa?" Ou "Imagina se eu precisasse escolher entre trair meu país ou ver Henry ser baleado bem na minha frente?".
Os devaneios da protagonista me fizeram simpatizar com ela. Ela gosta do fantástico, do excepcional e tem sempre o que deseja, tenta manipular a todos, e por ser tão cativante acaba conseguindo. A teia da aranha é essa intricada de possibilidades de desvendar esse crime envolvendo um homem detestável, uma ligação misteriosa à polícia, uma escrivaninha antiga e uma confissão inesperada. Típicas de uma história da Agatha.

Para alguns o desfecho pode não ser assim tão surpreendente - como, confesso, pra mim foi -, pois a trama é mais simples do que se costuma ver nas história agathachristinianas, sem toda aquela análise psicológica dos suspeitos, mas não deixa de ser um bom livro, e divertido, por sinal. Aqui a Rainha do Crime se mostra também adepta à comédia.
Gostei do modo como fui confundida e desconfundida.

O Natal de Poirot

Estou me tornando fã de Agatha. Não fosse pela minha falta de tempo, eu com certeza teria devorado esse livro bem rápido.
(...) Demonstrou também o desejo de " um assassinato dos bons, violento e cheio de sangue". Um assassinato que não houvesse dúvida de ser assassinato! Pois esta é a história que escrevi especialmente para você. 
Pois é assim, com esta dedicatória que iniciamos a leitura desse romance.
Trata-se de uma trama envolvendo os ingredientes necessários para um bom mistério: muitos suspeitos, um crime cometido dentro de um quarto trancado por dentro e pistas confusas. É o primeiro livro que leio com a participação de Hercule Poirot, e já simpatizei com o jeito observador dele. Poirot reune pistas e formula teorias em sua mente e até nos dá algumas dicas, mas não explicita o que está pensando, nem mesmo para seus companheiros de investigação, quero dizer, ele nos indica sua linha de raciocínio, mas ficamos se saber de quem ele está suspeitando, ou mesmo se suspeita de alguém em particular. Esse fato só faz aumentar ainda mais a nossa curiosidade por nos fazer pensar que o caso é insolúvel.
No primeiro momento Agatha nos apresenta aos personagens. Ficamos sabendo o ponto de vista de cada um deles, tentamos traçar suas personalidades e então todos são reunidos e colocados à frente de um assassinato terrível. O que piora ainda mais o caso é o fato de que os principais suspeitos, apesar de terem motivos, e alguns até a oportunidade, eram membros da família da vítima. Uns suspeitando dos outros e temendo por sua própria situação.
Não preciso dizer que o desfecho é surpreendente, e a narração dos fatos por Poirot é simplesmente alucinante.