terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A Menina que Não Sabia Ler

Acredito que muitos leitores vão em busca d'A Menina que Não Sabia Ler inspirados pela estética da capa e pelo nome que sugere algo parecido ao maravilhoso A Menina que Roubava Livros. Pelo menos comigo foi assim. Quebrei a cara. O livro nada tem a ver com essa capa leve e bonitinha.
"(...) e, depois de ter forçado o beijo a que alegava ter direito, deixou-me chorando junto ao lago, não só beijada grosseiramente, mas também com uma poesia ruim. Eis como acaba a ode de Van Hoosier, assim você entenderá por si mesmo: 
Quem é que sendo um pouco inteligente
Não gostaria de beijar Florence?"
Trata-se de um romance gótico. O primeiro que leio do gênero. Sabe que depois me deu vontade de conhecer algum Edgar Allan Poe? A história gira em torno de Florence e Giles, dois irmãos que vivem numa grande e negligenciada propriedade mantida pelo tio deles e sob a tutela de uma governanta. A vida deles anda muito bem até que Giles vai para um internato e Florence se vê sozinha e desamparada. Até que ela encontra a biblioteca, local estritamente proibido, e isso é bem notório pelas densas camadas de poeira que lá se encontram.

Quando Florence finalmente tem seu amado irmão de volta e continua a desfrutar secretamente do mundo literário, eis que aparece a nova preceptora, a srta. Taylor, para tirar dela a sua felicidade. Daí por diante o livro ruma por momentos que parecem ser puramente a imaginação de Florence como acontecimentos fantásticos, pesadelos e cenas macabras, nas quais a garota percebe a tutora como um ser maligno que quer levar embora o seu irmão. É então que Florence se vê decidida a fazer qualquer coisa para ter de volta a sua felicidade.

Theo, o amigo apaixonado, desajeitado, doente e autor de poemas ruins era um personagem muito cativante e ao qual Florence tinha uma grande afeição, o que tornou o desfecho ainda mais sinistro.
Porém o clima de tensão e a velocidade dos acontecimentos do clímax me deixou vidrada para terminar logo de ler, mas ao terminar ainda fiquei com muitas dúvidas, as quais sanei com minha própria imaginação.
Nunca li nada tão infantil e ao mesmo tempo tão obscuro. Ana Carolina (Skoob)

O Misterioso Sr. Quin

Resolvi iniciar minha carreira de leituras agatha-christinianas com algo que foge do comum da escritora. O Misterioso Sr. Quin é um livro de contos e o único livro do gênero que já havia lido foi Formaturas Infernais, e este deixou a desejar. Então eu não criei muitas expectativas quanto ao tal do Sr. Quin.

São 12 contos que giram em torno de casos de suicídios inexplicáveis, assassinatos, paixões e tudo que um livro de Agatha deve ter. Nessas histórias conhecemos o Sr. Satterthwaite, um homem de quase setenta anos, expectador da vida, apreciador de dramas, como ele mesmo diz. Sempre que se encontra com o enigmático Sr. Harley Quin, Satterthwaite se depara com mistérios aparentemente insolúveis, mas que com certa astúcia e alguma colaboração do alto e moreno Sr. Quin, que sempre parece estar no lugar certo no momento oportuno e também desaparece rapidamente, acaba encontrando uma solução. A partir de então é que Satterthwaite passa a não apenas observar, mas também se envolver nos acontecimentos.
Sempre vemos a figura do arlequim seja no nome do personagem misterioso, no restaurante frequentado pelos personagens principais, na alameda pertencente a Harley, no espetáculo que conduz o clímax do último conto, um quadro que desvendou um crime, enfim essa figura semelhante ao bobo da corte conhecida por pregar peças nas pessoas e lhes ensinar lições de moral está sempre presente nos contos e até mesmo Sattertwaite enxerga Quin como se fosse um arlequim em alguns momentos.
O livro que parece ser apenas um conjunto de interessantes crimes sendo desvendados, acaba se desdobrando em algo mais profundo que acaba pondo o leitor em uma reflexão sobre o papel do Sr. Quin nas histórias.
- A morte! - Havia desprezo na voz do sr. Quin - Acredita em vida depois da morte, não? E quem é o senhor para dizer que as mesmas aspirações, os memo desejos, não prevalecem na outra vida? Se o desejo for bastante forte, pode ser encontrado um mensageiro.